A HISTÓRIA DE SANTA FILOMENA

No início do cristianismo, foi necessário encontrar esconderijos, bem ocultos aos olhos dos perseguidores dos cristãos. Autênticos labirintos subterrâneos, as catacumbas de Roma, serviam não só como um lugar de culto e oração, com capelas e salas de paredes e tectos ornamentados com figuras do Antigo e Novo Testamento, mas também para reuniões e celebrações dos seus irmãos cristãos falecidos e martirizados. Morrer de morte natural ou violenta é, para um cristão, nascer para a vida eterna.

      As catacumbas serviam, assim, para os diversos encontros dos novos cristãos como também se tornavam as suas sepulturas. Estas galerias escavadas no subsolo, entranhadas na terra, chegavam a ter quilómetros e a sobreporem-se em sete andares. Enormes labirintos, estes cemitérios feitos pelos primeiros cristãos, deveriam permanecer invisíveis aos olhos dos soldados dos imperadores.

       

 

A catacumba de Priscilla, situada na Via Salária, os limites da cidade de Roma, é chamada a “Capital das Catacumbas” e a região onde se encontra é a mais venerada e ilustre região de toda a Roma. Priscilla é célebre, não só pelas suas sepulturas papais do séc. IV, mas também por uma memória segundo a qual os seus fundadores teriam convivido com S. Pedro. Priscilla tem também, entre muitas outras características diferentes, o luxo de algumas galerias e salas, contrastando com a maioria das outras catacumbas.

     Aqui, provavelmente, repousava Priscilla, fundadora do cemitério, mãe de Pudens, contemporâneo dos Apóstolos. Também, estudos topográficos e arqueológicos, apontam para que lá se encontrassem os sepulcros de Santa Praxedes e Santa Pundenciana, mártires, filhas de Pudens, senador, e em casa de quem teria sido recebido S. Pedro. Crê-se que aqui teriam sido sepultados centenas de mártires; uns eram cristãos conhecidos e ilustres como os Papas: Silvestre, Marcelino, Marcelo. Também os Pontífices: Libério, Sirício, Celestino, Vigilio tiveram na catacumba de Priscilla a sua sepultura.  Outros, tão somente, cristãos fervorosos que, por amor a Cristo, foram mortos barbaramente.

     Mas, para nós, a catacumba de Priscilla tem um significado muito especial porque, para além de outros Santos Mártires, foi nela que Santa Filomena foi sepultada! E a emoção com que visitamos estas catacumbas, o privilégio e a graça de tocarmos o seu sepulcro, brota espontânea e carinhosamente dos nossos olhos…  Quase podemos sentir a sua presença, afagar-lhe o rosto ou iluminarmo-nos com a Luz que emana do seu amor a Cristo.

    Quis Deus, com a intercessão de Santa Filomena, que o seu túmulo fosse encontrado a 24 de Maio de 1802  na altura em que os trabalhadores tinham recomeçado as escavações, iniciadas anteriormente numa cova de tufos, dedicada à família de Priscilla.

    Subitamente, um operador bateu com a picareta, placas de terracota que deveriam ser a tampa de alguma sepultura. Ao reconhecer, na placa do meio, o desenho de uma palma, símbolo do martírio, parou imediatamente a escavação pois deveria, certamente, tratar-se do sepulcro de um mártir e, segundo as instruções dadas, foi contar aos responsáveis a descoberta que tinha feito.

   No dia seguinte, 25 de Maio de 1802, contou a mesma descoberta perante vários observadores e testemunhas, entre eles D. Filipe Ludovici que fazia parte da comissão que superintendia, em nome da Santa Igreja, os assuntos das escavações e distribuição das relíquias dos mártires. Na verdade, o túmulo tinha, surpreendentemente, escapado ao vandalismo de antigos invasores e pesquisadores de relíquias. Todos testemunharam a descoberta de um corpo pertencente a uma criança de 13 ou 14 anos. Dentro do túmulo foi encontrado um vaso oval que continha sangue da Santa Mártir.

    O túmulo encontrava-se selado por três pedras de terracota com aproximadamente 50 cm de largura e um comprimento total de 1,74cm. Estas foram doadas ao Santuário a 14 de Agosto de 1827 pelo Papa Leão XII, onde se podia ver escrito a vermelho “Lumena-Paxte-Cumfi”, o que , segundo vários arqueólogos, deve ser interpretado: “Paxte- Cumfi-Lumena”, devido à evidente transposição das mesmas – isto é: “A Paz esteja contigo Filomena”. A ordem em que as pedras foram encontradas deve-se à evidente transposição das mesmas.

     Nestas pedras, também pintadas a vermelho, são visíveis, uma palma (símbolo da vitória e do martírio), três setas, duas âncoras, um chicote e um lírio (pureza). Nas âncoras pode visualizar-se uma semelhança com uma cruz, o sinal da Fé e Amor a Cristo. Na antiguidade grega e romana existe menção à âncora sagrada. A âncora também significa esperança, refúgio e preservação da vida.

    Estas gravuras, símbolos do tipo de martírio sofrido pela Santa, estão de acordo com a revelação feita, em 3 de Agosto de 1833, à Irmã Maria Luisa de Jesus:

    “Eu sou filha de um rei grego. Os meus pais eram pagãos e não tendo filhos, ofereciam sacrifícios a deuses falsos. Um médico cristão disse-lhes, então que se, se batizassem e se tornassem cristãos, Deus lhes daria filhos. Aceitaram a proposta. Foram ensinados, batizados e acolheram a religião católica. Nasci um ano mais tarde e chamaram-me Folomena. Cresci com uma educação cristã e fiz a minha 1ª Comunhão aos 5 anos. Aos 11 anos, fiz voto de virgindade a Deus. Quando tinha 13 anos, o imperador Romano, declarou guerra ao meu pai. Ele teria de ir a Roma em busca de paz e foi seu desejo que eu e minha mãe o acompanhássemos. Quando cheguei a Roma, o imperador deslumbrado pela minha beleza, prometeu paz e protecção ao meu pai com a condição de que eu fosse oferecida em casamento. O meu pai consentiu e contou-me depois o que se tinha passado. Todavia, respondi que não iria casar pois tinha consagrado a minha virgindade a Jesus Cristo. Os meus pais insistiram suplicando que tivesse pena deles e do nosso País.

     Respondi então que Deus era o meu Pai e o Céu a minha Terra Natal!. O meu pai foi até ao imperador e disse-lhe:”Filomena não se quer casar contigo!”. O imperador quis-me na sua presença e vendo as suas esperanças acabadas pela minha determinação em não ceder às suas promessas, disse:”Se não queres o meu amor, sentirás o meu poder!”. Com o seu orgulho de homem e rei, ambos feridos, ordenou que eu fosse fechada numa prisão a pão e água, uma vez por dia. Após 37 dias, a Virgem Santíssima apareceu-me e disse: ”minha escolhida filha, ficarás 40 dias nesta prisão e serás sujeita a diversos tormentos. No entanto, o Arcanjo Gabriel e o teu Anjo da Guarda, te ajudarão e sairás vitoriosa”. Após esses 40 dias, tiraram-me as vestes e chicotearam-me. Depois, coberta de feridas e à beira da morte, encerraram-me e no dia seguinte encontraram-me completamente curada. Sabendo o que acontecera, o imperador ordenou que fosse de novo à sua presença e, mais uma vez, fez a proposta de casamento. Ouvindo a minha recusa, ordenou que eu fosse morta por arqueiros. Assim que fui amarrada, entrei em êxtase e as flechas, em vez de atacarem o meu corpo, voltaram para trás matando vários arqueiros. Com este prodígio, o imperador deu ordens para que atassem uma âncora ao meu pescoço e me atirassem ao rio Tibre. Mas os Anjos romperam a corda e trouxeram-me para terra completamente enxuta. O povo, assistindo a este novo milagre, começou a gritar aos carrascos: ela está livre, ela está livre!“. Temendo uma revolta popular, cortaram-me a cabeça no dia 10 de Agosto, sexta-feira à tarde.“

    Esta revelação da Irmã Maria Luisa de Jesus, foi aprovada pelo Santo Ofício em 21 de Dezembro de 1833.      

 

 

CULTO DE SANTA FILOMENA

                  

 

O corpo de Santa Filomena foi transladado de Roma para Mugnamo del Cardinale por vontade, desejo e muita perseverança do sacerdote D. Francisco di Lúcia, pároco da igreja de N.ª S.ª das Graças, que ambicionava o corpo de um Santo Mártir para aquela igreja. Acompanhou-o a Roma, o recentemente eleito Bispo de Potenza, Monsenhor Ponzetti, guardião das Relíquias Sagradas no Vaticano.

    Os Restos Mortais de Santa Filomena chegaram triunfalmente a Mugnamo del Cardinale no dia 10 de Agosto de 1805!

    Tinha chegado, finalmente, a hora de Santa Filomena sair da escuridão e voltar à luz do dia, ela que trazia consigo a Luz Divina! Tinha chegado a hora de se apresentar ao mundo!

     Jesus não a esqueceu durante estes séculos e glorificou-a! Santa Filomena é amada no mundo inteiro, desde a Itália à França; desde os Estados Unidos da América à Russia; desde a Austrália à Argentina; desde o México à Índia; desde a Hungria a África; desde Portugal ao Brasil…

    Através da sua força espiritual e do seu grande poder de intercessão junto de Deus, Santa Filomena é venerada na terra. Ela é uma mártir de Cristo e os mártires são um dos fundamentos da Igreja Católica. Santa Filomena não podia ficar escondida por mais tempo. Tinha chegado a hora de se apresentar, de se dar a conhecer e ajudar os que acreditam no seu poder de intercessão junto de Deus. Porque ela é poderosa por amor a Cristo é também predilecta de Maria. Muitos Santos e servos de Deus se pronunciaram sobre a sua proteção: a venerável Paulina Filomena Maria Jaricot, fundadora da Propagação da Fé e do Rosário Vivo; o Papa Gregório XVI; o Beato Pio IX; S. Pio X; o Santo Cura d´Ars ou S. João Mª Vianey; André Filomena Garcia; Apóstolo na América do Sul, Frei Paulo O´Sullivan, mensageiro da Fé  e da devoção a Santa Filomena, em Portugal e na Europa, etc.    

     Que Santa Filomena abençoe os seus devotos e as famílias; que guie os seus filhos e os proteja; que os cubra com o seu manto quando pedem a sua intercessão junto de Deus, nosso Pai!   

 

PODER DE INTERCESSÃO DOS SANTOS JUNTO DE DEUS PAI

     Porque muitos cristãos recorrem aos Santos e não directamente a Deus Pai? É ele o mais misericordioso Pai e Senhor de todos nós! É Ele que nos concede as graças! Todavia, em sua sábia Providência, muitas vezes prefere transferir as suas graças pelas mãos de Mãe Santíssima ou dos seus Santos. Por conseguinte, rezamos aos Santos por expresso desejo e determinação d´Ele.

     Todos os Santos, de uma forma ou de outra, se entregaram a Cristo dando a sua vida, entregando-se à divulgação do Evangelho, levando uma pureza de vida dedicada total ou incondicionalmente a Deus. Os Santos são servos do Senhor, são amigos íntimos de Deus e, por isso, é pelos seus méritos e com as nossas orações, nos podem obter muitas graças que nós, de outra forma, não poderíamos alcançar.

     Santa Filomena foi Mártir no início do Cristianismo. Os Actos dos Mártires abundam nos mais espantosos prodígios. Eram produzidos casos assombrosos aquando dos seus martírios. Muitos pagãos se converteram perante os tormentos e as respectivas manifestações da mão de Deus no preciso momento da tortura. Os mártires deram, assim, a conhecer publicamente e sem sobra de dúvida o seu amor a Cristo e o poder da força divina.

 

 

    Todavia, Santa Filomena tem uma forma muito característica de se dar a conhecer aos cristãos seus devotos. Ela opera nos momentos oportunos. Ela sempre concede os seus benefícios por meio de processos extraordinários; umas vezes de maneira mais afável e meiga outras, gracejando e brincando connosco. Formas que muitos pensam ser coincidências naturais mas que, por serem tão singulares e oportunas revelam bem a mão que as preparou. Mas a nossa Menina manifesta sempre o seu desagrado com atitudes, modos e acções aqueles que não cumprem as suas promessas ou se esquecem dela depois de alcançarem as suas petições. Santa Filomena dispõe, sem dúvida alguma, de um maravilhoso poder de que Deus lhe conferiu mas usa-o de variadíssimas formas.

     Um dos meios mais agradáveis aos olhos de Santa Filomena para alcançar as suas graças é divulgá-la, é dar a conhecer o seu grande poder de intercessão junto de Deus. E, para isso, existem vários meios: distribuindo livros, artigos de devoção, tornando o seu milagroso poder conhecido pelo maior número possível de pessoas.

     Possamos nós compreender e acreditar que, efectivamente, Deus tem amigos muitos especiais aos quais quase nada nega. Acreditemos, então, que a nossa Princesa Celestial Filomena, é, sem quaisquer dúvidas, a esposa querida de Jesus e a filha predilecta de Maria. Uma amiga muito íntima de Deus nosso Pai!

www.philomena.it

 

 

ORAÇÃO A SANTA FILOMENA

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