TENDÊNCIAS "RELIGIOSAS" MODERNAS

TENDÊNCIAS "RELIGIOSAS" MODERNAS
O verdadeiro adversário está no panteísmo, nas suas múltiplas formas. Arranhe-se qualquer sistema filosófico com ares de novo, qualquer forma mais ou menos recente de "espiritualismo", e, logo abaixo do verniz, encontrar-se-á o panteísmo. 
 
O Universo é divino, e a Humanidade, parte integrante do Universo, também é divina. A felicidade do Homem consiste em tomar consciência de seu carácter divino, excitando dentro de si a sensação vivida da sua própria divindade, o que consegue por uma série de exercícios mentais ou fórmulas litúrgicas mais ou menos mágicas, cujas modalidades variam de sistema a sistema, e em geral - como acontece em toda a magia - são conhecidas apenas por uns poucos iniciados. 
 
Esta manifestação das energias divinas no íntimo do nosso ser, além de nos prestar toda a sorte de serviços psíquicos interiores úteis e deleitosos, também é muito proveitosa para o próprio cosmos. Com efeito, quanto mais excitamos em nós as energias divinas, tanto mais elas se activam nos outros seres. E, à medida em que se activam nos outros seres, progride todo o Universo cujo desenvolvimento consiste, em essência no desdobrar das energias divinas que se encontram neles mais ou menos como o vento no espaço.
 
Este sistema traz, evidentemente, a morte da inteligência. Se o homem quer conhecer Deus, e comunicar-se com Ele, não deve estudar nem pensar. Basta-lhe conhecer os métodos aptos a suscitar nele a experiência sensível da presença e da acção das energias universais e divinas dentro de si mesmo.
 
Também a vontade perde a sua razão de ser dentro deste sistema. Não há propriamente uma união com a divindade por meio do esforço da vontade aplicada em praticar o bem e evitar o mal. Basta que o Homem consiga despertar dentro de si por meio de métodos adequados a sensação experimental de que seu ser está naturalmente impregnado de forças divinas; o que aliás não é tão difícil pois todo o iniciado conhece tais métodos e nele se pode exercitar.
 
Está claro que nada disto teria capacidade de sedução, nem encanto, se não se envolvesse nos véus do mistério. Assim, a magia ressurrecta do século XX inventou não só vocábulos mas vocabulários inteiros, novos e complicados, todo um sistema literário cheio de figuras esfumaçadas e vistosas, em que estas afirmações fundamentais, variáveis aliás de escola para escola quase ao infinito nos seus pormenores, vão sendo postas em circulação para uso da pobre Cristandade diluída, narcotizada e insensível do século XX.
 
Daí, evidentemente, uma imensa confusão de conceitos, de sistemas, de tendências. 
 
Assim, fora das fronteiras da Igreja grassa uma religiosidade que em última análise é perfeitamente ímpia. E nos meios católicos? Ao mesmo tempo que formulamos a pergunta, contrai-se de tristeza nosso coração. Manda a verdade que se diga que também aí a confusão existe.
 
'Sob o signo da confusão e da esperança' in Catolicismo nº 13, Janeiro de 1952
 
via: Senza Pagare