87. Partindo dessa consideração geral sobre a centralidade do kerygma, é possível fazer algumas observações mais específicas. A primeira, e mais essencial, diz respeito à qualidade da vida comunitária dos discípulos do Senhor. Ela deve refletir um amor sincero entre os irmãos, o cuidado mútuo, uma generosa disponibilidade para com todos, especialmente para com os mais desfavorecidos, um clima de alegria e de festa e, por fim, aquele viver com um só coração e uma só alma (cf. At 4,32), próprio de uma comunidade acolhedora e hospitaleira, capaz, mesmo neste momento de mudança de época, de despertar a atenção de qualquer pessoa e de atraí-la para a experiência da fé cristã. Em um mundo cada vez mais fragmentado, no qual os únicos laços entre os seres humanos que parecem ter espaço são aqueles mediados pelas infraestruturas digitais, torna-se cada vez mais evidente, em muitas pessoas, uma necessidade e um desejo de pertencimento. Não nos bastamos a nós mesmos, e as redes sociais não preenchem nossa natureza original de “animais sociais”. Como crentes, não podemos deixar de manter o coração e as portas abertas a essas novas realidades das pessoas. Aliás, a primeira forma de evangelização ocorre sempre “de pessoa a pessoa”.
88. Nesse sentido, parece absolutamente urgente, sobretudo nos países de evangelização antiga, insistir na importância de promover, em cada comunidade eclesial, grupos de escuta, meditação, partilha e oração da Palavra, para cuja realização sejam dedicados horários específicos e fixos, que acompanhem a celebração da Eucaristia dominical. Que as palavras do Papa Francisco sirvam de inspiração: «A frequência assídua da Sagrada Escritura e a celebração da Eucaristia tornam possível o reconhecimento entre pessoas que são parte umas das outras. Como cristãos, somos um só povo que caminha na história, fortalecido pela presença no meio de nós do Senhor que nos fala e alimenta. […] temos urgente necessidade de nos tornar familiares e íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado, que não cessa de partir a Palavra e o Pão na comunidade dos crentes. Para tal, precisamos de entrar em confidência assídua com a Sagrada Escritura; caso contrário, o coração fica frio e os olhos permanecem fechados, atingidos, como somos, por inumeráveis formas de cegueira». A fim de facilitar esse contato dos fiéis com a Sagrada Escritura, nesses grupos bíblicos, poderão ser facilmente adotadas a antiga prática da lectio divina e as modernas metodologias exegéticas.
89. Apesar de todas as mudanças históricas, os principais canais de transmissão da fé continuam sendo os encontros “de pessoa a pessoa”. Por isso, entre os âmbitos em que a fé é transmitida, a amizade assume especial importância, como também atestam os casos mais recentes de conversão. A tradição da Igreja sempre reconheceu o valor educativo das relações fraternas genuínas, como também o Magistério recente não deixou de destacar, sobretudo em relação ao caminho de fé das jovens gerações, conforme afirmado, por exemplo, pelo Papa Francisco: «A amizade é um presente da vida e um dom de Deus. Através dos amigos, o Senhor purifica-nos e faz-nos amadurecer». A amizade, de fato, constitui um espaço privilegiado no qual o testemunho pessoal, a ajuda mútua e a partilha das alegrias e das dificuldades da vida tornam possível uma partilha da fé capaz de envolver toda a existência. Juntamente com a família, uma amizade saudável representa o contexto por excelência de relações autênticas e pode muito bem ser considerada também uma escola de humanidade, onde os crentes podem acompanhar-se e apoiar-se mutuamente no seguimento de Cristo.
LITURGIA
90. A segunda reflexão relacionada à redescoberta da centralidade do anúncio do kerygma diz respeito à liturgia. Se o coração do anúncio cristão é o encontro com o amor salvífico de Deus em Cristo, a liturgia constitui o lugar privilegiado no qual esse mistério é celebrado e comunicado sacramentalmente. Justamente por isso, ela ocupa um papel central na transmissão da fé, configurando-se como o coração pulsante da vida eclesial, na qual a comunidade se alimenta da Palavra de Deus e do Pão da vida eterna. A esse respeito, é preciso superar uma visão redutora que a considere uma mera moldura ritual da vida eclesial. A liturgia, de fato, é antes de tudo uma experiência de fé, ainda antes de ser um ensinamento, na medida em que permite ao fiel participar de gestos, palavras, silêncios e símbolos, vivenciando de forma viva o mistério de Cristo. Como se afirma em Evangelii gaudium, «a Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da Liturgia»: justamente por meio de sua força simbólica e de sua capacidade de envolver integralmente a pessoa, a liturgia torna-se autêntico lugar de anúncio e de encontro com o Senhor. Na ação litúrgica, e em particular na Eucaristia, somos introduzidos cada vez mais profundamente no mistério pascal, ao mesmo tempo em que se torna visível o caráter sacramental da Igreja, chamada a ser sinal do amor de Deus pela humanidade. Nesse evento sacramental, o encontro com o Ressuscitado torna-se um gesto compartilhado e vital que educa o crente não apenas “informando-o”, mas moldando-o por dentro para que se torne participante do mistério celebrado. Por isso, na liturgia, a fé é transmitida de forma performativa: não se fala apenas de Deus, mas entra-se em relação com Ele. A liturgia é memória e tradição viva, que gera e molda cristãos capazes de testemunhar a salvação encontrada: ao participar da oração litúrgica, entra-se, de fato, em uma história, em uma memória compartilhada que atravessa os séculos. Portanto, celebrar significa, antes de tudo, receber uma fé que foi acreditada, vivida e rezada por outros antes de nós.
91. Essa dinâmica, além disso, destaca a dimensão eminentemente comunitária da liturgia. A fé, de fato, não se transmite apenas por meio do anúncio ou do ensino individual, mas no seio de um povo que celebra. Na liturgia, o crente nunca está isolado, mas inserido em um “nós” que o precede, o acompanha e o transcende. Essa dimensão comunitária constitui um poderoso antídoto contra a atração de um estilo de vida egoísta e individualista, hoje tão difundido em muitos contextos, como já pudemos ver. Justamente por ser uma experiência eclesial e popular, a celebração da fé está intimamente ligada aos processos de inculturação, ou seja, ao esforço de «comunicar cada vez melhor a verdade do Evangelho num contexto determinado, sem renunciar à verdade, ao bem e à luz que pode dar quando a perfeição não é possível». Aplicada à liturgia, tal perspectiva exige que se preserve a riqueza da tradição simbólica da Igreja, tornando-a, ao mesmo tempo, acessível e significativa para os homens e mulheres de seu tempo, em uma tensão saudável e fecunda entre a fidelidade à tradição e a compreensibilidade da mensagem celebrada.
92. Do ponto de vista da transmissão da fé, portanto, a liturgia reveste-se de importância crucial, de acordo com o antigo adágio lex orandi, lex credendi. Disso se conclui, que a celebração litúrgica não pode se reduzir a uma mera execução formal, mas deve ser uma ação em que os sinais falem realmente à mente e ao coração dos fiéis, expressando de maneira viva e concreta a única fé da Igreja e fortalecendo em cada crente a consciência de ser membro do Corpo de Cristo. Somente por meio de uma participação plenamente consciente, que pressupõe uma educação adequada na linguagem litúrgica, a fé pode ser transmitida não como doutrina abstrata, mas como vida nova que se comunica “por atração” no cotidiano. Testemunha dessa eficácia da liturgia foi também o jovem Agostinho, que, anos depois daquela experiência, pôde escrever: « Quantas lágrimas verti, de profunda comoção, ao maravilhoso ressoar de teus hinos e cânticos em tua igreja! Aquelas vozes penetravam nos meus ouvidos e destilavam a verdade em meu coração, inflamando-o de doce piedade, enquanto corria meu pranto e eu sentia um grande bem-estar». Por meio da beleza dos sinais e da força da Palavra, portanto, a ação litúrgica torna-se assim a fonte geradora da missão eclesial, capacitando a comunidade a dar razão da esperança que nela habita por meio da credibilidade de uma vida transfigurada pela graça. Por esse motivo, é necessário um cuidado especial com as celebrações e um acompanhamento mistagógico das novas gerações, para que possam compreender e viver plenamente o que celebram na liturgia.
93. Além disso, a liturgia pode ser vivida de diversas maneiras. Existe, de fato, também uma forma própria da piedade popular manifestar uma sensibilidade litúrgica, que se expressa de maneiras diferentes de acordo com as diversas culturas. Para compreender esse fato, pode-se citar um belo relato de Romano Guardini, no qual ele narra sua viagem à Sicília: «Hoje vi algo grandioso: Monreale. […] Quando chegamos lá – era Quinta-feira Santa –, a missa solene já havia passado da consagração. […] O que eu poderia dizer sobre o esplendor desse lugar? […] A multidão estava sentada e observava. […] Quase ninguém lia. Todos viviam no olhar, todos estavam absortos na contemplação. Então ficou claro para mim qual é o fundamento de uma verdadeira piedade litúrgica: a capacidade de captar o “santo” na imagem e em seu dinamismo. Monreale, Sábado Santo. […] De vez em quando, um raio de sol penetrava na abóbada, e então um sorriso dourado permeava o espaço lá em cima. […] O mais belo, porém, era o povo. […] A cerimônia sagrada se prolongou por mais de quatro horas, e mesmo assim sempre houve uma participação viva. Existem diferentes formas de participação orante. Uma se realiza ouvindo, falando, gesticulando. A outra, por outro lado, se dá olhando. A primeira é boa, e nós, no Norte da Europa, não conhecemos outra. Mas perdemos algo que em Monreale ainda existia: a capacidade de viver-no-olhar, de permanecer na visão, de acolher o sagrado a partir da forma e do evento, contemplando».
94. Deve-se dedicar especial atenção para permitir que, em cada diocese, os fiéis e aqueles que se aproximam ou se reaproximam da comunidade de fé possam entrar em contato com as diversas sensibilidades litúrgicas presentes na tradição da Igreja Católica. Respeitando as normas litúrgicas vigentes, os Pastores são chamados a valorizar a riqueza do patrimônio litúrgico católico — pense-se, por exemplo, na variedade de estilos musicais que o caracterizam — de modo a poderem entrar em contato com as diversas sensibilidades de seus contemporâneos. Além disso, deve-se dedicar atenção específica ao acompanhamento que abençoa as fases marcantes da vida humana. Sobretudo no Ocidente, assiste-se a uma perda progressiva da memória coletiva dos ritos e das práticas rituais, em favor de um individualismo muito radical; mas isso não suprime a necessidade antropológica da ritualidade, à qual o ser humano sempre soube responder de diversas maneiras. A comunidade cristã cresce e se edifica por meio das práticas rituais, e o rico patrimônio espiritual da Igreja representa, nesse sentido, um recurso precioso e inesgotável.
O PAPEL DO TESTEMUNHO
95. A terceira consideração essencial diz respeito ao testemunho dos fiéis. Ele se articula em três dimensões fundamentais: o testemunho da santidade, o da proximidade e o da opção preferencial pelos pobres. Em todas as épocas, quem quer que tenha se deparado com o testemunho de um cristão exemplar sempre foi estimulado a descobrir o segredo daquela vida tão particular e diferente da maioria de seus semelhantes. Um crente que vive plenamente as exigências da mensagem cristã é, por si só, uma referência constante à verdadeira luz do mundo, que é Cristo Jesus. Como afirma o Papa Francisco, de fato, a «santidade é o rosto mais belo da Igreja». Bastaria aqui lembrar apenas as figuras de São Francisco de Assis e de Santa Teresa de Calcutá. É preciso reconhecer, de fato, que nada, como a santidade de seus membros, torna a Igreja mais credível no anúncio e na transmissão da fé. Por essa razão, aliás, fazendo eco à mensagem sobre a santidade do Concílio Vaticano II, o Papa Francisco quis reiterar com insistência que o chamado à santidade é o chamado comum de todo cristão: «Para ser santo, não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais».
96. Juntamente com o testemunho da santidade, os fiéis são chamados a oferecer, no dia a dia de sua existência, o testemunho de uma proximidade para com todos. Trata-se de uma proximidade construída com os tijolos da hospitalidade, da gentileza, da escuta, da mansidão e da ternura. Segundo a antiga frase do autor latino Terêncio – «Homo sum, humani nil a me alienum puto» – para os crentes, nada que seja verdadeiramente humano deve ser considerado estranho. Todo cristão é chamado a ajudar as pessoas a reler sua própria história no âmbito da grande história da salvação, descobrindo que sua própria vida faz parte da narrativa de Deus. Essa proximidade se torna testemunho quando é exercida em relação a pessoas que vivem em situações de grave sofrimento, físico ou mental. Nesses casos, um gesto de escuta e ternura, aliado a uma palavra de fé, pode abrir amplos espaços para o acolhimento daquela verdadeira luz de Cristo, que tem o poder de libertar das trevas aqueles que estão envoltos nelas. O Papa Leão lembra, de fato, que a «finitude, quando é acolhida na verdade, não empobrece o ser humano, mas o abre ao reconhecimento do rosto de Deus e do outro».
97. Chegamos assim ao testemunho concreto do amor de Deus que os crentes oferecem ao cuidar, de maneira preferencial, dos pobres, dos desfavorecidos e dos excluídos. Como lembrou o Papa Leão XIV, seguindo os passos de seu predecessor, os crentes nunca devem esquecer «a forte ligação existente entre o amor de Cristo e o seu chamamento a tornarmo-nos próximos dos pobres». Na verdade, o «cristão não pode considerar os pobres apenas como um problema social: eles são uma “questão familiar”. Pertencem “aos nossos”. A relação com eles não pode ser reduzida a uma atividade ou departamento da Igreja». Nessa proximidade ativa e concreta com os irmãos e irmãs que vivem na pobreza, a Igreja faz brilhar de maneira eminente aquela chama do amor de Deus por todos que Jesus veio acender na terra e que ainda hoje consegue tocar, muitas vezes silenciosamente, o coração de tantos. Um testemunho particularmente valioso nesse sentido vem dos bispos de Mianmar, recolhido por ocasião da Visita ad limina junto a este Dicastério, em 2 de junho de 2026: nesse país, que carrega as feridas de múltiplos conflitos, a Igreja demonstra sua proximidade com os mais pobres, mesmo que seja simplesmente no silêncio da escuta, sem qualquer distinção de pertencimento religioso – trata-se, de fato, de uma nação de maioria budista. É justamente essa proximidade que desperta, naqueles que não compartilham da fé cristã, o desejo de aprofundar os motivos dessa maneira de lidar com o sofrimento, oferecendo assim aos fieis a oportunidade de falar explicitamente sobre sua experiência com Jesus. Nessa unidade entre caridade e anúncio evangélico, portanto, destaca-se ainda mais claramente a beleza integral da proposta cristã.
ARTE E BELEZA
98. Uma quarta observação específica diz respeito, ainda, à necessidade de dar espaço — no discurso sobre a transmissão da fé — também às múltiplas expressões da criatividade humana, por meio das quais se buscou dar forma àquela tensão em direção à beleza, ao amor e à transcendência que habita, muitas vezes de forma atormentada, o coração humano. Como não pensar, a esse respeito, nas tantas obras da literatura e da poesia capazes de suscitar um encanto sublime, capazes de cativar até mesmo as mentes mais distraídas pelas modernas tecnologias de comunicação? Justamente sobre a importância de se abrir à beleza, Hans Urs von Balthasar insistiu de maneira especial: «Na forma luminosa do belo, o ser do belo torna-se visível como em nenhum outro lugar. Por isso, todo conhecimento ou tendência espiritual deve ser acompanhado por um momento estético».
99. Nessa perspectiva, deve-se dedicar atenção especial à música, a qual, como expressão privilegiada da via pulchritudinis, constitui uma linguagem essencial para a transmissão da fé, capaz de tocar as cordas mais profundas do coração humano e de comunicar a verdade do Evangelho por meio da beleza. Não se trata de um mero ornamento estético das celebrações, mas de um instrumento missionário que atua por atração, tornando perceptível a glória do Ressuscitado, sobretudo onde as palavras têm dificuldade em chegar. De fato, como observou o Papa Leão XIV, «a música é como uma ponte que nos conduz a Deus. Ela é capaz de transmitir sentimentos, emoções, até os movimentos mais profundos da alma, elevando-os e transformando-os numa escadaria ideal que liga a terra ao céu». Por meio da música, a fé encontra formas particulares de expressão que um anúncio puramente verbal, por si só, nem sempre consegue alcançar. Essas considerações nos levam a exortar os artistas e escritores crentes a um esforço criativo especial, para manifestar a beleza da fé e da experiência espiritual cristã.
AS FASES DA VIDA
100. Uma última observação diz respeito às diversas fases da existência de cada ser humano (infância, adolescência, juventude, idade adulta, velhice). Elas constituem, de fato, uma espécie de contínua “reapropriação” do dom do próprio nascimento no mundo e, assim como este, são experiências ao mesmo tempo surpreendentes e desafiadoras. A comunidade eclesial deverá, portanto, desenvolver um anúncio do Evangelho mais atento às diferentes idades da vida, levando em devida consideração as diversas situações de crescimento e de novidade que cada uma delas traz consigo. Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que muitas pessoas se aproximam da Igreja apenas por ocasião das celebrações que acompanham alguns momentos fundamentais da vida: batismos, matrimônios e funerais. Por isso, é indispensável reconhecer que, nessas circunstâncias, se oferece uma oportunidade preciosa de alcançá-las com um anúncio do kerygma capaz de tocar seus corações, evitando palavras que não consigam gerar nenhum encontro.
101. A questão, já discutida, da ruptura geracional na transmissão da fé assume particular relevância. A esse respeito, a comunidade dos fiéis encontra na pastoral dos adultos — que também são os pais das novas gerações — um terreno novo e um contexto repleto de desafios particularmente complexos. De fato, se no passado, pelo menos nos países de antiga tradição cristã, o anúncio do kerygma era dirigido quase exclusivamente aos mais jovens, hoje surge cada vez mais a urgência de acompanhar pessoas — inclusive aquelas batizadas ainda na infância — que vivem distantes da comunidade eclesial e que, embora sintam um chamado interior para uma vida evangélica, enfrentam dificuldades para compreender e assimilar a linguagem da Igreja. Nesses casos, a transmissão da fé às novas gerações passa pela evangelização dos adultos. De fato, como podem os adultos transmitir a fé às novas gerações se eles próprios não a vivem em nível pessoal? Outras dificuldades podem surgir, além disso, de situações marcadas por diversas formas de pobreza existencial, sobretudo em contextos urbanos caracterizados por uma fragmentação acentuada ou em áreas rurais isoladas. Tudo isso interpela a Igreja em sua totalidade, levando-a a tornar-se cada vez mais sinodal e missionária, sobretudo por meio da valorização dos carismas que o Espírito Santo suscita no povo de Deus.
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