O VALOR DO SOFRIMENTO

Alguns autores partilham algumas reflexões sobre o valor do sofrimento para a esperança Cristã.
 
 

A grande tarefa da pessoa humana é integrar todos no tecido social. Ninguém tem o direito de excluir ninguém, tal como ninguém tem o direito de se auto-excluir. Todos, também os doentes, também os acamados, também os idosos são parte integrante da sociedade. Eles não são pessoas inúteis nem devem ser considerados como pessoas indesejáveis. Eles podem dar um contributo enorme às novas gerações pela experiência de vida que carregam e pela coragem com que enfrentam a fragilidade da sua doença.

 

Aprendamos de Cristo a maneira de amar com ternura e força.

 

(São Bernardo)

 

Jesus Cristo é a nossa alegria, o nosso tesouro. Todos somos chamados e convidados a amar, a servir e a sofrer com Jesus Cristo e também com sua Mãe Santíssima.

 

Acolher a Sua mensagem de paz, de amor e de perdão, significa encontrar-se com Ele, com a Sua Palavra, viva e eficaz; significa redescobrir a pertença à Igreja, desde o nosso batismo, comprometendo-nos com Ele, com todo o coração, com todas as nossas forças.

 

A renovação da Igreja depende do exemplo, do bom testemunho de todos nós e também da entrega dos jovens e dos cristãos em geral, que são chamados a trabalhar na vinha do Senhor, com muita generosidade e alegria, sempre assíduos e firmes na fé.

 

Acolher Cristo significa receber do Pai o mandato de viver no amor por Ele e pelos irmãos, como fizeram S. Domingos, Sta. Catarina de Sena, Madre Teresa de Saldanha, a Beata Ascenção Nicol Goñi e tantos outros membros e santos da Família Dominicana.

 

Deus veio habitar entre nós para que pudéssemos viver com Ele. Como procuramos ser contemplativos e amantes da oração, coerentes com a nossa fé e generosos no serviço aos irmãos, membros vivos da Igreja e artífices (construtores) da paz?

 

A nova humanidade é fundada sobre o poder do amor e do perdão, na luta contra a mentira, a injustiça, a miséria física, moral e espiritual.

 

Aceitar viver na verdade, na vontade de Deus, no dia-a-dia da vida, nem sempre é fácil. Procurá-la na oração, na reflexão interior, para depois cumprir essa vontade divina, exige uma alma e um coração abertos à graça, disponíveis a Deus, para fazer a Sua vontade, não só quando temos saúde mas também na doença e nos sofrimentos da vida.

 

Fr. José Carlos Vaz Lucas, op

 

1. A Igreja não pode deixar de sentir no coração o dever da proximidade e a participação neste mistério doloroso, que associa a tantos homens e mulheres de todos os tempos à condição de Jesus durante a Paixão.

 

2. Quando o mal bate à porta de um ser humano, a Igreja convida-o sempre a reconhecer, na sua existência, o reflexo de Cristo, o «Varão das dores».

 

3. A Igreja redobra os seus cuidados e a sua presença materna ao lado dos doentes, para que o amor divino penetre mais profundamente neles, frutificando em sentimentos de confiança filial e abandono nas mãos do Pai Celeste, para a salvação do mundo.

 

4. No plano salvífico de Deus «o sofrimento, mais que qualquer outra coisa, torna presente, na história da humanidade, a força da Redenção» («Salvifici doloris», 27).

 

5. Jesus, assim como salvou o seu povo amando-o «até ao extremo» (Jo 13,1), até à morte e morte de cruz» (Fl 2,8), da mesma forma continua a convidar, de certo modo, todos os discípulos a sofrerem pelo Reino de Deus.

 

6. Quando está unido à paixão redentora de Cristo, o sofrimento humano transforma-se em instrumento de maturidade espiritual, e em magnífica escola de amor evangélico.

 

7. Convido-vos a vós, doentes, a olhar sempre com fé e esperança para o Redentor dos homens.

 

8. A misericórdia divina acolherá as vossas orações e súplicas para vos curar dos males que vos afligem, se tal for do agrado do Pai e contribui para vosso bem.

 

9. Cristo enxuga sempre as vossas lágrimas se sabeis olhar para a sua cruz e anticipar, na esperança, a recompensa dos vossos sofrimentos. Tende confiança: Ele não vos abandona!

 

10. A Igreja necessita dos doentes e da sua entrega ao Senhor, para obter graças abundantes para toda a humanidade. Com estas intenções invoco do Todo-Poderoso os dons da paz e a consolação espiritual para todos os doentes, para os dirigentes e para todos os empregados do Instituto Nacional do Cancro.

 

(«L´Osservatore Romano» 10.10.1997)

Richard C. Tapia, op

A Virgem Maria é nosso modelo no seguimento de seu Filho. Ela sempre fez a vontade de Deus. Esteve sempre disponível para, em tudo e sempre, aceitar e cumprir a vontade de Deus Pai. Olhar a Virgem Maria nesta sua disponibilidade ativa, ajuda-nos a viver a vontade de Deus nas nossas vidas.

 

Sabemos como nos tempos que correm é tão difícil escutar a “voz” de Deus: os Seus apelos, perceber a Sua vontade... Há meios que nos ajudam a entrar em diálogo com Deus Pai: a oração, - pessoal ou comunitária, - feita com humildade e sinceridade, o silêncio interior, e também a contemplação dos Mistérios do Terço, ou do Rosário completo, da Via-Sacra – sabemos por experiência, - que são autênticos momentos de escuta e contemplação da Palavra de Deus, da Boa Nova de Jesus Cristo: Só Ele é o Caminho a Verdade e a Vida que nos conduz para a verdadeira e plena felicidade.

 

Guiados pelo exemplo de Nossa Senhora do Rosário, de S. Domingos e dos Pastorinhos de Fátima, mais facilmente crescemos na arte de fazer o bem, sempre disponíveis para fazer a vontade de Deus.

 

A missão da Virgem Maria, é conduzir-nos para Jesus Cristo, seu Filho, só Ele é o único caminho que nos leva para a santidade e felicidade plenas.

 

Fr. José Carlos Vaz Lucas, op

A mensagem da Cruz é difícil de compreender. O saudoso e inesquecível São João Paulo II deixou-nos palavras encorajadoras para os momentos difíceis da nossa vida. Faz-nos bem recordá-las, sobretudo sabendo que as pronunciou em momentos de grande sofrimento pessoal, não muito antes da sua partida para a casa do Pai, disse-nos ele: «Sem dúvida a mensagem que a Cruz comunica não é fácil de compreender no nosso tempo, no qual o bem-estar material e as comodidades são propostos e procurados como valores prioritários. Mas não tenhais receio de proclamar, em qualquer circunstância, o Evangelho da Cruz! Não tenhais medo de ir contra a corrente!».

 

“Cristo Jesus, que era de condição divina... humilhou-Se a Si mesmo, fazendo-Se obediente até à morte... e morte de Cruz” (Fl 2,6.8). O admirável hino da Carta de S. Paulo aos Filipenses recordou-nos que a Cruz tem dois aspectos inseparáveis: é, ao mesmo tempo, dolorosa e gloriosa. O sofrimento e a humilhação da morte de Jesus estão intimamente ligados à exaltação e à glória da Sua ressurreição.

 

«Queridos irmãos e irmãs, nunca percais a auto-consciência desta verdade consoladora. A Paixão e a Ressurreição de Cristo constituem o centro da nossa fé e o nosso amparo nas inevitáveis provas quotidianas». E o Santo Padre conclui: «Maria, Virgem das Dores e testemunha silenciosa do júbilo da ressurreição, vos ajude a seguir Cristo crucificado e a descobrir no mistério da Cruz o sentido pleno da vida».

 

Nas horas de sofrimento, físico ou moral – que a ninguém faltarão – fixemos o nosso olhar interior em Jesus e em Nossa Senhora das Dores e assim receberemos a força para a plena aceitação da cruz dolorosa, sem dúvida, mas que conduz sempre à glória, à verdadeira felicidade, à vida eterna.

 

Fr. José Carlos Vaz Lucas, op

A cruz é sinal colocado no coração de todo o cristão. A cruz, objeto de humilhação e de sofrimento, é também o sinal da vitória sobre a morte. É, sobretudo, um sinal de amor.

 

Deus amou tanto o mundo que quis mostrar aos homens até onde podia chegar este amor: até ao sofrimento e à morte. Não podemos ignorar a cruz. A nossa própria vida é uma cruz. «Eu estou crucificado com Cristo», afirma S. Paulo, as cruzes dos sofrimentos deste mundo impedem-no de beneficiar da glória do Céu. Não é possível ocultar a miséria e o sofrimento na vida do homem. A cruz de Cristo da-lhe um sentido: «Aquele que quiser seguir-Me tome a sua cruz e siga-Me», diz Jesus.

 

Qual é a nossa cruz? - A nossa cruz, somos nós mesmos. É cada momento doloroso da nossa vida. A nossa cruz é a doença, a velhice com os seus achaques, o abandono, a traição, a decepção. O Senhor conheceu tudo isto antes de nós. Ele, que podia evitar o sofrimento, aceitou-o para nos mostrar até onde ia a união de Deus com cada um de nós.

 

Um sinal de vida – A cruz de Jesus é também o prelúdio da Sua ressurreição. Os nossos sofrimentos, apesar de tudo, servem para provar grandemente a nossa fé, a nossa esperança e a nossa alegria. A cruz, sinal de morte, é também o sinal pelo qual Deus venceu a morte e nos oferece a vida eterna e feliz.

 

Deus aceita-nos como somos - «Aquele que quiser seguir-me, tome a sua cruz». Não se trata de levar a cruz de Jesus. Nós não estamos preparados para uma prova igual. Não se trata, também, de levar a cruz dos outros. Trata-se de levar a nossa cruz. Deus ama-nos como somos, com a nossa cruz, a nossa vida. Deus aceita tudo o que temos, o bom grão e o joio. É Ele, o Dono da colheita, que faz a separação no nosso coração. «Que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em nós», (Jo. 17)

 

Os sacramentos identificam-nos, pouco a pouco, a Cristo. Por outras palavras: a nossa pobre cruz, levada com coragem, aproxima-nos do coração de Deus.

 

Fr. Philippe Verdin, op

Hoje, como no tempo de Jesus, há homens e mulheres a sofrer, há “Cristos” com cruzes muito pesadas: a cruz da doença, da humilhação, do pecado, do sofrimento; a cruz das noites escuras da fé, a cruz da injustiça; a cruz de ser vítima da mentira, da calúnia, da crítica; a cruz de não ter casa, emprego, pão para comer, a cruz de ser condenado injustamente; a cruz da luta da vida quotidiana; a cruz de não poder ajudar os outros e os aliviar; a cruz de não saber e não conseguir fazer mais e melhor; a cruz do doente terminal, a cruz do muribundo; a cruz dos que estão sós e sem amor; a cruz dos filhos abandonados pelos pais; a cruz da solidão, da angústia; a cruz do desespero, da tentação; a cruz do sofrimento mal vivido e mal aceite; a cruz da revolta interior; a cruz de não ser compreendido, de não ser amado, de não ser aceite e estimado; a cruz de pais de filhos drogados, de filhos deficientes, de filhos desencaminhados; a cruz de não ter alimentos para dar aos filhos; a cruz dos corpos destroçados pelas minas. Tantas e tão grandes cruzes espalhadas pelo mundo na vida de tantas pessoas.

 

São precisos “cireneus”, são precisos irmãos e irmãs que ajudem a levar a cruz, que ajudem a consolar, a diminuir o sofrimento, a ser bálsamo na dor.

1. CREIO que o sofrimento com amor, assumido na esperança, redime o mundo dos seus pecados.

 

2. CREIO que o sofrimento com amor, purifica o homem / a mulher dos seus excessos materialistas, e é para ele / ela ocasião de crer na sua dimensão espiritual.

 

3. CREIO que o sofrimento com amor, incorpora o homem / a mulher à Paixão de Jesus, e fá-lo colaborador do Redentor, na missão de salvar o mundo.

 

4. CREIO que o sofrimento com amor, oferecido pela Evangelização do mundo e pelos seus missionários(as), é um serviço maravilhoso à Igreja universal.

 

5. CREIO que o sofrimento com amor, vivido desde a fé e desde o Evangelho, é um testemunho forte da esperança na futura ressurreição, e, por isso, um instrumento seguro de evangelização, e um instrumento de santificação individual e eclesial.

 

6. CREIO que o sofrimento com amor, alcança «tudo de Deus». Deus não sabe negar nada a quantos acodem a Ele com uma alma provada pelo sofrimento.

 

7. CREIO que o sofrimento com amor, «ajuda a “relativizar” alguns dos valores e formas de vida da sociedade atual: a concorrência, a ambição do dinheiro, de poder, de êxito e de prestígio, a ânsia de ter e de consumir» (Da mensagem para o “Dia do Doente”).

 

8. CREIO que o sofrimento com amor, é «escola acelerada de santificação». A santidade consiste em amar muito. E o meio para conseguir o amor pode ser o sofrimento: «não há melhor lenha para acender e conservar o amor de Deus do que a cruz» (S. Inácio de Loyola).

 

9. CREIO que o sofrimento com amor, expia os pecados, desprende das coisas da terra, santifica, alcança tudo de Deus, configura-nos com Cristo e faz-nos verdadeiros apóstolos.

 

10. CREIO que o sofrimento com amor, é o «caminho normal da glória». «É doutrina segura: se sofremos com Ele, com Ele reinaremos» (2 Tim 2,12). «O sofrimento com amor é a porta real para entrar no Céu.» (S. Francisco de Sales)

 

Richard C. Tapia, op

1.º APRENDE COM O SOFRIMENTO:

 

Não procures o sofrimento, mas aprende com ele, se sofres, pois «quem sabe da dor, tudo sabe» (Dante). A própria dor é um medicamento. (W. Cowper).

 

2.º AMADURECE COM O SOFRIMENTO:

 

Lembra-te de que o sofrimento é o caminho mais curto para amadurecer. «O homem a quem a dor não educou, será sempre uma criança» (Tommaseo).

 

3.º TEM CUIDADO, NÃO TE ENGANE O SOFRIMENTO:

 

«Só nos curamos duma dor, quando a sofremos totalmente» (M. Proust).

 

4.º APRENDE A ACEITAR O SOFRIMENTO:

 

«Não são os acontecimentos que nos preocupam, mas a ideia que temos desses acontecimentos.»

(Epicteto).

 

5.º SUPERA, POUCO A POUCO, O SOFRIMENTO:

 

«Não há dor que o sono não possa vencer» (H. Balzac).

 

6.º DÁ A CONHECER O SOFRIMENTO, FALA DELE:

 

«Fala do teu sofrimento, pois «a dor silenciosa é a mais funesta» (Racine). «Dai a palavra à dor: a dor que não fala geme no coração até que o desfaz» (Shakespeare).

 

7.º NÃO TE QUEIXES INUTILMENTE:

 

Porque, «a dor é sempre menos forte do que a queixa» (La Fontaine).

 

8.º APRENDE A FALAR E A CALAR:

 

Lembra-te: «Não se chegou ao cúmulo da dor, quando se tem ainda força para se queixar» (Bruix).

Aceita o silêncio de quem sofre e acompanha-o em silêncio. «A dor reclama solidão» (A. Chenier)

 

9.º NÃO TE RECREIES COM O SOFRIMENTO:

 

«Sem dor não se forma o carácter; sem prazer não se forma o espírito» (Fenchstersleben).

 

E lembra-te: «Se de noite choras pelo sol, não poderás contemplar as estrelas».

E mais: «Quem canta, seus males espanta».

 

10.º ESQUECE E OLHA PARA A FRENTE:

 

Tem presente que «a recordação da dor é ainda dor» (Lord Byron). E vive sempre com esperança: «Ninguém se torna grande senão medindo o nada da sua dor». (Wiechert).

Recebe, Senhor, os nossos medos – e transforma-os em confiança.

 

Recebe, Senhor, o nosso sofrimento – e transforma-o em crescimento.

 

Recebe, Senhor, o nosso silêncio – e transforma-o em adoração.

 

Recebe, Senhor, as nossas crises – e transforma-as em maturidade.

 

Recebe, Senhor, as nossas lágrimas – e transforma-as em oração.

 

Recebe, Senhor, a nossa ira – e transforma-a em serenidade.

 

Recebe, Senhor, o nosso desânimo – e transforma-o em fé.

 

Recebe, Senhor, a nossa solidão – e transforma-a em contemplação.

 

Recebe, Senhor, as nossas amarguras – e transforma-as em paz de espírito.

 

Recebe, Senhor, a nossa morte – e transforma-a em ressurreição.

 

«Onde há um coração que sofre, aí estabelece Cristo a sua morada». (François Mauriac)

 

«O sofrimento é um mistério. Tudo consiste em saber se é um mistério de vida ou de morte». (E. Boehrer)

 

«O maior triunfo do catolicismo consiste em ter dado um sentido, até ao sofrimento».

(Séailes)

 

«De todas as forças latentes que salvam o mundo, a mais poderosa é o sofrimento unido à cruz». (P. Perreyve)

 

«Sofrer todos os dias um pouco, ajuda-nos a rezar melhor durante a noite.» (J. Colens)

 

«O cristão que sofre é uma pessoa a quem Deus falou, mais que uma pessoa a quem Deus feriu». (Louis Veuillot)

 

«A melhor maneira de aligeirar os nossos sofrimentos, é aliviar o sofrimento dos outros». (P. Charles)

 

«O sofrimento dilata os corações nobres, e encolhe os corações egoístas». (P. Nicolay)

 

«Queixei-me de não ter sapatos, até ao momento em que vi um homem que não tinha pés». (Refrão Chinês)

 

«Ditoso quem sofre e sabe porquê». (Paul Claudel)

 

«Ter sofrido muito, é como saber muitas coisas e muitas línguas: ter aprendido a compreender tudo e a que todos te compreendam.» (Madame Swetchine)

 

«Um jovem que luta é um futuro rei». (Henrique Lacordaire)

 

«Levar a cruz é mais do que suportá-la. Ao Céu chega-se mais facilmente coxeando do que voando». (São Francisco de Sales)

 

«As horas desesperadas são as horas de Deus». (Mons. Baunard)

 

«As árvores que podamos reverdecem mais formosas.» (Ronsard)

 

«Há bênçãos de Deus que, ao entrarem, estilhaçam os vidros». (Louis Veuillot)

 

«O homem revela-se ao confrontar-se com o obstáculo». (Saint Exupéry)

 

Richard C. Tapia, op

A ressurreição de Jesus Cristo é o acontecimento central da nossa fé, no entanto, nunca chegaremos a compreender totalmente o seu mais profundo significado. Jesus Cristo ressuscitou e nós estamos, igualmente, chamados a ressuscitar com Ele; é a Boa Nova da Páscoa.

 

Olhar, a partir da fé, para a morte e ressurreição de Cristo supõe aceitar, como algo importante, a nossa vida concreta, a atual, a do dia-a-dia; aceitar o sofrimento e a necessidade de conversão, isto é, mudar de atitudes. Isto significa renunciar à ambição, ao prazer narcisista, às más relações, à imposição dominante sobre o fraco, e assim viver com a nova condição de filhos de Deus, que a Sagrada Escritura classifica de justiça verdadeira ou santidade. Pela nossa identificação com a pessoa de Jesus, recebemos de Deus a nossa salvação; mediante a nossa conversão pessoal, podemos levar a bom termo uma alteração própria e comunitária de comportamento que nos afaste do pecado e nos incorpore numa vida nova em Jesus Cristo.

 

«Quem diz que conhece a Deus, mas não guarda os Seus mandamentos é – nas palavras de São João – um mentiroso e a verdade não está nele; ao passo que quem guarda a Sua palavra, nesse é que o amor de Deus é verdadeiramente perfeito» (1 Jo 2,4-5). Ser santo é interessar-se pelos outros, ajudar os necessitados, compartilhar a alegria da mesa, auxiliar, na medida do possível, os doentes, escutar quem vive na solidão, acolher os imigrantes, etc.

 

Ressuscitar é viver agora, dia após dia, de uma forma nova, em família, na política, nas relações profissionais ou de trabalho, na vizinhança; é viver na justiça e na santidade verdadeira, é viver na veracidade, guardando os Mandamentos de Deus. Para ressuscitar, não esperemos pelo último dia. É agora o tempo propício para começar. Comecemos já!

 

Fr. Manuel González de la Fuente, op

Que é orar? - Orar é responder a Deus que previamente nos falou. Deus fala-nos de muitas maneiras: Falou-nos por seu Filho, Jesus Cristo; pela Sua Palavra, pela Bíblia; pela sua Igreja; por meio dos acontecimentos pessoais, familiares e sociais e pelos “sinais dos tempos”.

 

Fala-nos através da consciência, das recordações, das pessoas que nos rodeiam ou encontramos, fala-nos através de imagens religiosas e através de experiências vividas.

 

Mas o grande problema, - neste mundo cheio de ruídos e de interesses – é que muitas vezes não sabemos ou não queremos ouvir a Sua voz.

 

Podemos responder a Deus com palavras, com gestos e com as boas obras. A resposta melhor é a que damos com as boas obras, fazendo sempre o bem.

 

Que supõe “orar com Maria”, através do sofrimento?

 

Supõe associar-se, como Ela, à Paixão de seu Filho, Jesus Cristo, cooperando assim na obra da Redenção: «Maria, sofrendo com seu Filho que morria na cruz, cooperou de modo absolutamente singular – pela obediência, pela fé, pela esperança e pela caridade ardente – na obra do Salvador para restaurar a vida sobrenatural das almas. Por tudo isto, Ela é nossa Mãe na ordem da graça (LG, 61).

 

Supõe orar com os sentimentos, atitudes e disposições com que orou Maria. As atitudes de Maria em ordem a Deus, seu Pai, sempre foram: de total disponibilidade aos planos de Deus, de um “sim” definitivo à «vontade de Deus», de ser a «serva do Senhor». Estas atitudes devem ser as do enfermo(a) que quer «orar como o fazia a Virgem Maria».

 

Supõe descobrir o que Deus lhe diz através do sofrimento: que é pessoa débil e com limitações, mas sabendo que a «vida dos que cremos em Deus não acaba, apenas se transforma. E, ao desfazer-se a nossa morada terrena, uma habitação eterna se adquire no céu». (Prefácio de Defuntos)

 

Supõe uma total disponibilidade aos planos de Deus, à Sua santíssima vontade.

 

Richard C. Tapia, op

Senhor Jesus, que na Tua vida terrena revelastes sempre um afecto de infinita compaixão pelos doentes, pousa o Teu olhar sobre nós que, através do sofrimento, testemunhamos a fé no Teu amor.

 

Aceita a oferta dos nossos males das nossas penas e, por meio deles, faz resplandecer a luz da fé no coração de quantos a abandonaram; dá outra vez a força da Tua graça àqueles que a perderam. Senhor Jesus, rogamos-Te que unas às dores da Tua paixão as dores da nossa doênça, a fim de que todos os homens possam experimentar a bondade do Pai e viver na Tua paz.

 

(Extracto de uma oração do Papa Paulo VI)

Senhor,

apesar da doença que me invade o corpo,

apesar do sofrimento

que enche os meus dias, apesar da solidão

que me tem distante os amigos,

apesar da incerteza

que me compromete o futuro,

apesar da angústia

que me não deixa entender o que acontece,

apesar da secura do coração

que nem me permite rezar como queria,

ó meu Senhor,

eu quero ter esperança,

eu quero acreditar na vida,

eu quero amar toda a gente,

eu quero saber dizer-Te: Obrigado!

Tu és Pai, és Irmão,

e eu, na doença como na saúde,

em cada dia,

quero saber viver com alegria.

Ámen.

Espírito Santo,

Vós que conservais a vida

em todo o Universo,

concedei-me o dom da saúde,

livrai-me de todos os males

do corpo e do espírito.

Ó Espírito de Vida,

concedei a sabedoria aos médicos

e a todos os que se dedicam

aos doentes, para que conheçam

as causas das enfermidades

que ameaçam a vida.

Iluminai os cientistas,

para que possam descobrir

os medicamentos necessários e,

assim, contribuir para as melhoras

de todos os doentes.

Ámen.

 

(Beato Tiago Alberione)

 

Estamos reunidos: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

 

“Com o piedoso exercício da Via Sacra recordamos as dores que o divino Redentor sofreu no caminho, desde o Pretório de Pilatos, onde foi condenado à morte, até ao monte Calvário, onde, por nossa salvação, morreu na Cruz”. (Constituição sobre as Indulgências, 29-6-68, N.º 63)

 

A Via Sacra é um exercício piedoso com profundas raízes populares. Recorda-nos vivamente a Paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ajuda-nos a pensar em todos os que estão mais particularmente unidos à Sua cruz: os doentes, os pobres e todos os que sofrem.

 

Acto de contrição: Meu Deus, de todo o coração me arrependo dos meus pecados; odeio-os e detesto-os porque ofendem a Vossa infinita majestade e são causa da morte do vosso Divino Filho, Jesus Cristo. Proponho nunca mais cometê-los no futuro e fugir sempre das ocasiões de pecar. Senhor, tende misericórdia de mim e perdoai os meus pecados.

 

No início de cada estação diz-se:

 

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus.

R. Que remistes o Mundo pela Vossa santa Cruz.

 

I – Jesus é condenado à morte

 

Jesus, por Vosso amor e em desconto dos meus pecados, aceito a morte com todas as dores, penas e angústias que a acompanharem. Seja feita não a minha, mas a Vossa vontade.

 

Pai-Nosso

 

II – Jesus toma a Cruz aos ombros

 

Quero seguir-Vos, ó Mestre, mortificando as minhas paixões e aceitando a cruz de cada dia. Atraí-me para Vós. Difícil é o caminho, mas conduz ao paraíso. Hei-de apoiar-me em Vós, meu guia e meu conforto.

 

Pai-Nosso

 

III – Jesus cai pela primeira vez

 

Jesus caiu para amparar os que caem. Inúmeras são as tentações do demónio, da carne e do mundo. Senhor, não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos de todo o mal: do passado, do presente e do futuro.

 

Pai-Nosso

 

IV – Jesus encontra sua Mãe

 

Eis os dois Corações que tanto amaram os homens e nada recusaram para os salvar. Jesus e Maria, concedei-me a graça de melhor Vos conhecer, amar e servir. Tomai o meu coração para que seja sempre Vosso.

 

Pai-Nosso

 

V – O Cireneu ajuda Jesus a levar a Cruz

 

Tende compaixão de mim, ó bondoso Mestre. Preservai do pecado os homens, salvai os pecadores e livrai das suas penas as almas do Purgatório.

 

Pai-Nosso

 

VI – A Verónica limpa o rosto de Jesus

 

Nesta piedosa mulher reconheço o modelo das almas reparadoras. Ó bom Jesus, imprimi em mim e em todas as almas reparadoras as virtudes do Vosso santíssimo Coração.

 

Pai-Nosso

 

VII – Jesus cai pela segunda vez

 

Senhor, detesto os meus pecados por serem ofensa à Vossa majestade e causa da morte do vosso Divino Filho e da minha ruína espiritual. Proponho firmemente nunca mais os cometer no futuro.

 

Pai-Nosso

 

VIII – Jesus consola as piedosas mulheres

 

Senhor, peço-Vos perdão pelos pecados que cometi. Jesus, prometo impedir, quanto puder, pela palavra e exemplo, pelas boas obras e orações, que se cometam novos pecados.

 

Pai-Nosso

 

IX – Jesus cai pela terceira vez

 

Senhor, proponho reparar o mal e as injustiças cometidas neste mundo, principalmente contra os mais pobres e desprotegidos. Que o Evangelho me lembre que todo o mal feito ao próximo é ofender-vos a Vós.

 

Pai-Nosso

 

X – Jesus é despojado das suas vestes

 

Senhor, concedei-me a graça de cada vez mais desprender o meu coração de toda a vaidade e satisfação pecaminosa e procurar unicamente em Vós a minha felicidade.

 

Pai-Nosso

 

XI – Jesus é pregado na Cruz

 

Senhor, quero pertencer-Vos na vida, na morte e na eternidade. Não permitais, ó Jesus, que eu me separe de Vós.

 

Pai-Nosso

 

XII – Jesus morre na Cruz

 

A morte de Jesus renova-se todos os dias nos nossos altares, na Santa Missa. Bom Jesus, inspirai-me grande devoção à Santa Missa, para que eu participe nela com as disposições com que a vossa Mãe Santíssima se manteve ao pé da Cruz.

 

Pai-Nosso

 

XIII – Jesus nos braços de Sua Mãe

 

Nas chagas de seu Filho, Maria contempla o terrível efeito dos nossos pecados e o amor infinito de Jesus por nós. A devoção a Maria é sinal de salvação. Virgem Maria, aceitai-me como filho, acompanhai-me na vida; socorrei-me agora, mas especialmente na hora da minha morte.

 

Pai-Nosso

 

XIV – Jesus é encerrado no sepulcro

 

Senhor Jesus, chegastes ao último acto da vossa humilhação, a do sepulcro. Senhor, para Vós, são tão preciosas as almas, ao pondo de dardes a vida por elas. Quero seguir-Vos para onde me chamares, para colaborar convosco na obra da Redenção.

 

Pai-Nosso

 

XV – A Ressurreição de Jesus

 

Creio firmemente, meu Deus, na Ressurreição de Jesus Cristo, como creio na Ressurreição da carne. Quero ressuscitar todos os dias para uma vida nova, para merecer ressuscitar para a glória no último dia.

 

Pai-Nosso

 

OREMOS:

Senhor, ao terminarmos esta Via Sacra que Vós percorrestes pelas ruas de Jerusalém, admiramos, Senhor, os vossos sofrimentos e Vos agradecemos todo o amor que oferecestes por nós. Vós conheceis-nos e sabeis bem de que barro somos feitos. Na nossa Via Sacra precisamos de contar convosco para levar a nossa cruz até ao fim, sempre com alegria e amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo....

 

Pensa a sério na tua salvação

 

“De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se depois vier a perder a sua alma”.

(S. Mateus 16,26)

 

TENS:

 

Um Deus a amar, uma alma a salvar,

Um céu a conquistar, o mal a evitar.

 

DEVES:

 

Evitar o pecado, viver na graça de Deus,

guardar os Mandamentos, Amar a oração,

frequentar os sacramentos e ter devoção filial a Nossa Senhora.

 

Nossa Senhora do Rosário, Mãe carinhosa,

escutai as preces dos vossos filhos:

acolhei-nos assim como somos,

pobres pecadores,

que esperamos o auxílio da Vossa proteção.

Ajudai-nos a viver e a perseverar em graça,

Vós que sois a Cheia de Graça.

Tomai conta dos nossos problemas diários

das nossas debilidades e fraquezas,

da nossa boa vontade

e do desejo que temos de seguir Jesus.

Obtende-nos as graças necessárias

para a nossa salvação.

Nossa Senhora do Rosário, Mãe carinhosa,

alcançai-nos de Jesus

o dom inestimável da paz:

paz no seio das nossas famílias,

na nossa Pátria e em todo o mundo.

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,

agora e na hora da nossa morte. Ámen.

Ó Santíssima Virgem Maria, a quem Deus constituiu auxiliadora dos cristãos, nós vos escolhemos como Senhora e Protetora desta casa. Dignai-vos mostrar aqui e nas casas de nossos familiares, vosso auxílio poderoso. Preservai estas casas de todo o perigo: do incêndio, da inundação, do raio, das tempestades, dos ladrões, dos malfeitores, da guerra e de todas as outras calamidades que conheceis.

 

Abençoai, protegei, defendei, guardai como coisa vossa as pessoas que vivem nestas casas.

 

Sobretudo concedei-lhes a graça mais importante: a de viverem sempre na amizade de Deus evitando o pecado. Dai-lhes a fé que tivestes na palavra de Deus e o amor que nutristes para com o Vosso Divino Filho Jesus e para com todos aqueles pelos quais Ele morreu na cruz.

 

Maria Auxílio dos cristãos, rogai por todos os que vivem nestas casas que vos foram consagradas.