PRÁTICAS DE JEJUM

Monsenhor Jonas Habib

 

INTRODUÇÃO

 

Muitas pessoas não jejuam por desconhecerem como fazê-lo. Imaginam que o jejum seja algo muito difícil e doloroso e que sejam incapazes de praticá-lo.

 

No entanto, todos podem jejuar – idosos, doentes, gestantes, lactantes (mulheres que amamentam), jovens, adultos – sem que isso lhes faça algum mal, pelo contrário, só lhes fará bem.

 

Para ajudá-lo a esclarecer algumas dúvidas e a desfazer o mito de que ele pode ser prejudicial, escrevi este livreto, no qual apresento o resultado da minha experiência. Isso não significa que eu seja modelo para alguém, na verdade, tenho sido até um tanto relaxado. Porém, no decorrer dos anos, acumulei algumas experiências que desejo compartilhar contigo.

 

É possível encontrar em muitos outros livros a respeito da mística do jejum, mas aqui abordarei exclusivamente o aspecto prático do jejum e, dentre várias modalidades, tratarei apenas de quatro delas, que acredito serem as mais proveitosas.

A Igreja chama o jejum, a esmola e a oração de “remédio contra o pecado”, pois cada um, a seu modo, nos ajuda a vencer o maior mal deste mundo, o pecado.

 

A oração nos fortalece em Deus, a esmola (obras de caridade) “cobre uma multidão de pecados” e o jejum revigora o nosso espírito contra as tentações da carne e do espírito, libertando-nos e abrindo-nos para os valores superiores da alma.

 

“Convocai para um jejum [...]” (Jl 1,14). Estas palavras são as que ouvimos na primeira leitura da Quarta-feira de Cinzas, quando começa a Quaresma. O jejum no tempo da Quaresma é também a expressão da nossa solidariedade com Cristo, preso, torturado, flagelado, coroado de espinhos, condenado à morte, crucificado e morto.

 

Ao jejuar, devemos concentrar-nos não só na prática da abstenção do alimento ou das bebidas, mas no seu significado mais profundo.

 

O alimento e as bebidas são indispensáveis para a sobrevivência do homem, mas não é correcto abusar deles. A finalidade do jejum é levar-nos a um equilíbrio necessário e ao desprendimento daquilo que podemos chamar de “atitude consumística”, característica da nossa civilização.

 

O homem orientado para os bens materiais muitas vezes abusa deles. Hoje, buscam-se, acima de tudo, a satisfação dos sentidos, a excitação que disso deriva, o prazer momentâneo e a multiplicidade de sensações cada vez maiores. Tudo isso gera um vazio no coração do homem moderno, pois sem Deus não se consegue sentir realizado e satisfeito. O barulho do mundo e o prazer das criaturas não conseguem preencher o seu coração.

 

Hoje, as criança, e também muitos adultos, vivem de sensações sempre novas... Então, torna-se, sem perceber, escrava desta paixão atual; a vontade fica presa ao hábito, a quem não sabe opor-se.

 

O jejum ensina-nos a renunciar e capacita-nos a dizer “não” a nós mesmos, apresentando-nos aos valores mais nobres da alma: a espiritualidade, a reflexão, a vontade consciente. O jejum eleva-nos.

 

Muitos caminham de cabeça baixa e isso acontece quando o corpo comanda o espírito e o esmaga. É o prazer do corpo que o comanda e não a vontade do espírito.

 

É preciso entender que a renúncia às sensações, aos estímulos, aos prazeres e ainda ao alimento ou às bebidas não é um fim em si mesmo, mas apenas um “meio”, devendo apenas preparar o caminho para conquistas mais profundas. A renúncia ao alimento é essencial para criar em nós condições de viver os valores superiores. Por isso o jejum não pode ser algo triste, enfadonho, e sim uma actividade feliz que nos liberta.

 

Os Padres da Igreja davam grande valor ao jejum. Diz, por exemplo, São Pedro Crisólogo (+451): “O jejum é paz do corpo, força dos espíritos e vigor das almas” e ainda: “O jejum é o leme da vida humana e governa todo o navio do nosso corpo”.

 

Santo Ambrósio (+397) diz: “A tua carne está a sujeitar-te (…) Não sigas as solicitações ilícitas, mas refreia-as algum tanto, mesmo no que diz respeito às coisas lícitas. De fato, quem não se abstém de nenhuma das coisas lícitas, está também perto das ilícitas”.

 

Até os escritores que não são adeptos do cristianismo declaram a mesma verdade, sendo esta de alcance universal. Faz parte da sabedoria universal da vida.

 

Mahatma Gandhi, pacifista indiano, dizia as seguintes palavras: “o jejum é a oração mais dolorosa e também a mais sincera”. “Cada jejum é a oração intensa, purificação do pensamento, impulso da alma para a vida divina, a fim de nela se perder”. “O jejum é para a alma o que os olhos são para o corpo”.

 

O jejum confere à oração maior eficácia. Por meio dele o homem descobre, de fato, que é mais “senhor de si mesmo” e que se tornou interiormente livre, percebendo que a conversão e o encontro com Deus, pela oração, frutificam nele. Assim, o jejum não é algo que se conservou de uma prática religiosa dos séculos passados, mas sim indispensável aos homens de hoje, aos cristãos do nosso tempo.

 

A Bíblia recomenda muito o jejum, tanto o Antigo como o Novo Testamento. Jesus o realizou por quarenta dias no deserto antes de enfrentar o demónio e começar a sua vida pública, aconselhando a sua prática: “Essa espécie [de demónio] só pode ser expulsa pela oração [e pelo jejum]” (Mc 9,29)

“É boa a oração com o jejum, e a esmola com a justiça. […] Mais vale dar esmola do que acumular tesouros de ouro” (Tb 12,8).

 

O jejum deve ser acompanhado de mudança de vida, conversão, arrependimento dos pecados e volta para Deus. O profeta Isaías chamava a atenção do povo para isso:

 

“Por que foi que jejuamos e tu nem olhaste? Nós nos humilhamos totalmente e nem tomaste conhecimento”. Acontece que, mesmo no dia de jejum, só cuidais dos vossos interesses e continuais explorando os trabalhadores. Acontece que jejuais criando caso, brigando e esmurrando. Deixai de jejuar como até agora, para que a vossa voz chegue ao Altíssimo. Será este o jejum que eu prefiro, um dia em que a pessoa se humilha: Curvar o pescoço como vara, ou deitar na cinza de luto? É a isso que chamais de jejum, um dia agradável ao Senhor? Acaso o jejum que eu prefiro não será isto: soltar as cadeias injustas; desamarrar as cordas do jugo; deixar livres os oprimidos, acabar com toda a espécie de imposição? (Is 58, 3-6)

 

Cada um tem a sua individualidade, por isso cada um deve realizar a forma de jejum que mais lhe seja adequada. Este livro sobre o jejum ajudar-te-á a buscar a forma correta de viver esta prática espiritual tão importante.

Assim é chamado o tipo de jejum prescrito para toda a Igreja e que por isso é extremamente simples, podendo ser realizado por qualquer um.

 

Existem dois dias do Ano Litúrgico que a Igreja obriga todos os fiéis entre os 18 e os 60 anos, que não estejam doentes, a praticarem este jejum: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa. Mas, além desses dias obrigatórios, tu podes fazê-lo nos outros dias, especialmente nas sextas-feiras em que a Igreja recomenda que façamos algum sacrifício pela nossa conversão e salvação dos outros.

 

O fundamental desse tipo de jejum é que tu tomes o café da manhã normalmente, depois faças apenas uma refeição – almoço ou jantar – de acordo com os teus hábitos, saúde e trabalho. O que seria a terceira refeição do dia, a que tu não farás, pode ser substituída por um lanche simples que satisfaça as tuas necessidades.

 

Dessa maneira, para ficar claro, se tu optares pelo almoço como a refeição completa, no jantar faz apenas um lanche suficiente para te dar condições de passar o resto da noite sem fome. Nesse dia, procura evitar completamente as pastilhas, doces, chocolates e bolachas, e não consome refrigerantes, as bebidas e os cafezinhos.

 

O conceito de jejum não exige que tu passes fome. Nas suas aparições em Medjugorje a própria Nossa Senhora repetiu várias vezes que jejuar é refrear a gula e disciplinar o comer, ou seja, não comer a toda a hora. No jejum, mais do que passar fome, deve-se sentir vontade de comer. Temos maus hábitos em relação à comida; muitos vivem para comer ao invés de comer para viver.

 

O importante é a disciplina, que é a essência do jejum. Não se deve comer nada além das três refeições. O objetivo é eliminar o hábito de “beliscar” e abrir o frigorífico várias vezes ao dia para comer “uma coisinha”.

 

Para quem é indisciplinado – e muitos são -, este é um jejum daqueles! Não se passa fome, mas nos disciplina, refreando a gula! Esta é a finalidade do jejum.

 

Qualquer um é capaz de fazer este tipo de jejum, até mesmo os doentes, uma vez que a água e os remédios não quebram o jejum. Caso seja necessário leite para tomar os remédios, o jejum também não é prejudicado, pois a disciplina é mantida. Para o doente e para o idoso, disciplina mesmo talvez seja tomar os remédios – e tomá-los corretamente.

 

Alguns podem pensar que esse jejum é relaxado ou nem o considere um jejum, porque é muito simples, fácil. Mas não é bem assim. Esse modo de jejuar vem da tradição da Igreja e pode ser praticado por todos, sem excepção, sendo esse o motivo pelo qual é prescrito para toda a Igreja. Como boa mãe, a Igreja exige o mínimo, pois sabe que os seus inúmeros filhos são diferentes; há pequenos e grandes, fortes e fracos. Então, a boa mãe pede o mínimo, mas também te deixa ir além, se desejares.

 

Uma recomendação muito importante ao se alimentar é comer devagar e mastigar bem os alimentos, pois a digestão começa na boca, com o trabalho do suco salivar no alimento. Assim, come devagar e sem pressa, sem engolir pedaços de comida mal mastigados. Esta postura torna-se essencial quando se faz um jejum, pois agindo assim o organismo aproveita melhor o alimento e tu sentes-te mais saciado.

Neste segundo tipo de jejum deve-se comer pão quando sentires fome e beber água quando sentires sede. Apenas isso e nada mais.

 

A questão não é comer pão e beber água ao mesmo tempo, pelo contrário, deve-se evitar isso. O nosso tipo de pão, quando ingerido com água, geralmente fermenta no estômago, provocando dor de cabeça. O melhor é comê-lo aos poucos, durante todo o jejum. Desse modo, perceberás que o pão adquire um novo sabor.

 

A água também deve ser ingerida várias vezes no decorrer do dia. O organismo necessita de água, por isso toma-a mesmo quando não sentires sede.

 

No jejum a pão e água é absolutamente permitido utilizar o chamado pão sírio, que é muito substancioso, bem como o pão integral, podendo até ser feito em casa. Por não ter miolo, fermenta menos e facilita a digestão.

 

Tais tipos de pães, por serem preparados com trigo integral, têm um bom teor de fibras e proteínas e não fazem mal. Por exemplo, o pão Medjugorje, iugoslavo, é forte e substancioso, mas o nosso pãozinho comum já é suficiente para se fazer um bom jejum sem passar fome.

 

O fundamental desse tipo de jejum é comer somente pão e beber água. Repito: não é para passar fome, muito menos sede. Essa é a forma de jejum que mais refreia a nossa gula – que, de modo geral, é o hábito de comer e beber em excesso – e impõe uma disciplina que combate a mania de lambiscar o dia inteiro. Tu perceberás que, mais do que passar fome, jejuar é dominar o gosto da comida; comemos demais porque vamos à procura do gosto e não do alimento.

 

O terceiro tipo de jejum requer que tu passes o dia sem comer nada, limitando-te a tomar líquidos. Ou seja, durante todo o teu dia de jejum, tu alimentar-te-ás somente com líquidos. Essa é uma modalidade muito eficaz de jejum que refreia a gula e garante a disciplina.

 

Em relação aos líquidos, há uma grande variedade de opções e de combinações possíveis; todas elas nos mantêm alimentados e bem dispostos sem quebrar o jejum.

 

É recomendável passar o dia a tomar chá. Existem vários tipos dele e pode-se escolher à vontade. Desde que seja quente e possua um pouco de açúcar ou mel, o chá alimenta e mantém o estômago aquecido, o que é muito bom. Quem não puder ingerir açúcar e mel pode substituí-los pelo adoçante ou tomar o chá puro, assim, se privará da glicose, que é alimentícia, mas obterá as vantagens do chá e do calor. Se preferires, podes tomá-lo frio ou gelado, especialmente no verão.

 

Tanto os sumos de fruta como laranjada, limonada e outros como os sumos de legumes e de verduras também são indicados para esse dia. Vê bem: é para tomar o sumo, e não vitamina. A combinação de frutas, legumes e verduras aumentam a variedade de sumos.

 

Os sumos, adoçados ou não com açúcar, mel ou adoçante, são sempre alimentícios, deixando o corpo leve para a oração e para outras atividades intelectuais ou físicas.

 

Outra boa opção para esse tipo de jejum é a água-de-coco que é completa, contendo todos os nutrientes que nos mantêm hidratados e alimentados. Especialmente para quem tem a sorte de viver em lugares repletos de coqueiros, um jejum à base de água-de-coco é excelente. Não existe melhor hidratante.

 

Contudo, quem não possui essa vantagem pode recorrer ao soro caseiro, que supre muito bem as nossas necessidades. Ele é obtido com a mistura de um copo de água, uma colher de açúcar e uma pitada de sal. Podemos passar um dia inteiro a tomar apenas essa mistura. Eis aí um excelente jejum.

 

Além dos chás, sumos, águas-de-coco e soro caseiro, ainda dispomos dos caldos, que, em geral, são quentes e contêm sal, o que é muito recomendável.

 

Qualquer pessoa, mas especialmente os idosos e os doentes, podem fazer um jejum muito saudável à base de caldos. Tal como os sumos, os caldos também apresentam uma grande variedade.

 

Observa, no entanto, que me estou a referir a caldos, e não a sopas e canjas, embora se possa fazer caldo de frango e até de carne. O importante é que o caldo é líquido, nutritivo, quente e contém sal.

 

Especialmente nos dias frios, os caldos são uma ótima maneira de fazer jejum, pois com eles a ingestão das calorias necessárias às nossas actividades, espirituais em particular, são garantidas.

 

Há quem passe o dia a tomar somente água; nesse caso, já se trata de um jejum completo. Isso é possível, principalmente para quem é treinado. Assim sendo, o jejum pode ser graduado com a ingestão de líquidos até chegar ao jejum completo: sumos, chás, águas-de-coco, soro caseiro e, por fim, apenas água. Nada impede que se faça o mesmo com o jejum a pão e água. A pessoa treinada aos poucos deixa de comer até apenas ingerir água.

 

Não estou a dizer que deves fazer isso. Estou somente a comentar que esta prática é possível e de baixo grau de dificuldade. Tudo é uma questão de treino e disciplina – esta é a essência do jejum.

 

O mais interessante é que todos estes jejuns tornam o corpo leve, hidratando-o e mantendo o aparelho digestivo em repouso. A cabeça fica desanuviada, a mente abre-se e fica predisposta a qualquer actividade espiritual, como a oração e a contemplação, inclusive ao estudo, à reflexão, à leitura, à escrita, aos cálculos, projectos, actividades musicais e poéticas, entre muitas outras actividades.

 

Convém comentar aqui que realizar qualquer trabalho intelectual – portanto que exige concentração e esforço -, comendo, bebendo, ou fumando é um péssimo hábito, pois acumula tensão sobre tensão. Porém, uma vez adquirido esse hábito, a sensação de que ele reativa a mente e facilita a criatividade nos ilude. Ou seja, o benefício não passa de uma simples ilusão. É algo que só serve para nos intoxicar e aumentar a tensão.

Neste quarto tipo de jejum não se come nada, apenas se bebe água.

 

É recomendável que, antes de experimentares esta forma de jejum, tu realizes o jejum a pão e água e o jejum à base de líquidos, que podem servir de treino.

 

No jejum completo é fundamental beber água várias vezes ao dia. Não é aconselhável fazer o jejum a seco, ou seja, sem beber água, especialmente quando não se fez um bom treinamento.

 

Mas é possível fazer jejum sem ingerir nem mesmo água? Sim, como já mencionei, é possível. Porém, somente pessoas bem experientes devem tentar fazê-lo.

 

O jejum não deve prejudicar a saúde e sim torná-la melhor. Portanto, se tu te sentires mal durante um dia de jejum, talvez o estejas a fazer inadequadamente; nesse caso, deves alterá-lo.

 

Como citado acima, o nosso organismo precisa de água. Ele necessita estar bem hidratado para agir e reagir no campo espiritual. Assim, como o nosso jejum se destina a combatentes que batalham por Deus na dimensão espiritual, bebe água várias vezes ao dia, se fores praticar o jejum completo.

 

Quanto ao momento de terminar o jejum, principalmente o jejum completo, Nossa Senhora de Medjugorje orienta encerrá-lo às quatro horas da tarde. Tu podes encerrá-lo às cinco, seis ou oito horas da noite, o importante é ser comedido e agir com sabedoria. Não devemos bancar os heróis, tendo consciência de que não estamos participando de um teste de resistência. Não precisamos provar nada a ninguém; nem a nós, nem ao Senhor. O objectivo do jejum é o encontro com Deus, a melhoria da nossa oração e a obtenção de disciplina. Ele é um meio de nos abrir à graça da contemplação, da intercessão e da Unção do Espírito Santo.

 

Repito: não temos de provar nada a ninguém; nem a nós, nem mesmo ao Senhor.

Um erro muito comum cometido pelas pessoas é fazer um dia de jejum sem tomar o café da manhã. Esta atitude significa que, na verdade, elas começam o jejum a partir da última refeição que fizeram na véspera, e não pela manhã.

Tais pessoas mal-informadas, por agirem assim, adquirem uma dor de cabeça. E esse não é o objectivo do jejum. Além disso, trata-se de um sintoma que faz a pessoa ficar indisposta, irritadiça e prestes a perder a paciência durante todo o dia. E isso é totalmente o oposto do que se espera com o jejum.

Como se não bastasse todos esses inconvenientes, a dor de cabeça impede que a pessoa realize satisfatoriamente as suas actividades espirituais, especialmente a oração, contrariando toda a concepção da meta do jejum.

E por que acontece tudo isso? Porque os ácidos do estômago ficam muito ativos quando alguém fica muitas horas sem se alimentar, principalmente depois de uma noite de repouso.

O correto é tomar tranquilamente o café da manhã, como todos os dias, e, a partir daí, iniciar o jejum. Assim, ficas livre dos ácidos do estômago, da dor de cabeça, da irritabilidade e da indisposição. E isso custa muito pouco: basta tomar o café da manhã como nos outros dias.

Caso não queiras realmente comer nada, ou não fazes nenhuma refeição pela manhã, ao menos bebe algo, de preferência quente. Isso fará bem ao teu aparelho digestivo, preparando-o para o dia de jejum.

No entanto, se não desejares fazer apenas um dia de jejum e preferires começar na véspera, então bebe um bom copo de água, levemente amornada, evitando que o aparelho digestivo padeça das indisposições já mencionadas.

Uma última observação essencial: é comum as pessoas dizerem que farão jejum de doce, de bebida alcoólica, de refrigerantes, de televisão. Trata-se de um gesto positivo e que deve ser feito, porém não é correto chamá-lo de jejum, e sim de mortificação.

Quando fazemos mortificação, privamos-nos voluntariamente de algo, oferecendo essa prática como sacrifício. Fazê-lo é muito válido e agrada ao Senhor, além de ser um excelente modo de disciplinar e viver o autodomínio.

Mas assim como na questão do dinheiro, dízimo é dízimo e oferta é oferta, jejum é jejum e mortificação é mortificação. Tu podes fazer quantas ofertas quiseres, mas não deves de deixar de dar o dízimo. Do mesmo modo, podes fazer quantas mortificações desejares, pois isso é muito bom, mas não deixes de fazer o jejum.

O jejum é uma riqueza que precisa ser reconquistada; é uma forte expressão da comunidade que decidiu fazer uma conversão e começar uma vida nova.

Tu provavelmente és uma das muitas pessoas que desconheciam o que apresentei neste livro e que por esse motivo não praticavas o jejum.

Agora, com uma nova compreensão, começa a pratica-lo, pois isso seguramente trará benefícios para ti e para o Corpo de Cristo.

Deus abençoe o teu jejum!

Monsenhor Jonas Abib