EM CONSTRUÇÃO....
TERÇO COM SANTA TERESA DE JESUS

INTRODUÇÃO

«COMO DEVEIS REZAR A AVE MARIA»
Teresa de Ávila amou Nossa Senhora desde a sua infância, até ao fim da sua vida. Conheceu, por experiência própria as «alegrias», as «dores» e as «glórias» de Maria. Podemos dizer que, desde muito cedo, «comungou com a alma da Virgem Maria».
«Era meu pai afeiçoado a ler bons livros e assim os tinha em vernáculo para que seus filhos os lessem. Isto, com o cuidado que minha mãe tinha em fazer-nos rezar e sermos devotos de Nossa Senhora e de alguns Santos, fez-me despertar – segundo me parece – na idade de seis ou sete anos (V 1,1).
«Procurava solidão para rezar as minhas devoções que eram muitas, em especial o Rosário, do qual a minha mãe era muito devota e assim nos fazia sê-lo» (V 1,6).
«Recordo-me de que, quando morreu minha mãe, fiquei da idade de doze anos, pouco menos. Quando comecei a perceber o que tinha perdido, fui-me, aflita, a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei-Lhe, com muitas lágrimas, que fosse minha Mãe. Embora o fizesse com simplicidade, parece-me que me tem valido; porque conhecidamente tenho encontrado a esta Virgem soberana, sempre que me tenho encomendado a Ela, e, enfim, tornou-me a Si» (V 1,7).

«COMO SE REZARÁ BEM O PAI-NOSSO»
«A oração não é para mulheres, pois podem-lhe advir ilusões»; «melhor será que fiem»; «não necessitam dessas delicadezas»; «basta o Pai Nosso e a Ave Maria»... Isto também eu digo; e se basta! É sempre bem fundar a vossa oração sobre orações ditas por uma tal boca como a do Senhor. Nisto têm razão que, se a nossa fraqueza não estivesse tão fraca e a nossa devoção tão tíbia, não seriam precisos outros concertos de orações nem seriam precisos outros livros (CV 21,2-3).
«Se, estando a falar, estou perfeitamente a entender e a ver que falo com Deus, pondo nisto mais advertência do que nas palavras que digo, juntas estão aqui oração mental e vocal. Salvo se vos dizem que podeis estar a falar com Deus, a rezar o Pai Nosso e a pensar no mundo: que então calo-me. Mas se quereis estar, como é de razão que se esteja, a falar com tão grande Senhor, é bem que estejais a olhar com quem falais e quem sois, sequer ao menos para falar com cortesia (…) Eu hei-de juntar sempre a oração mental à vocal (…) Quem poderá dizer que é mal, se começamos a rezar [a Liturgia das] Horas ou o rosário, que se comece por pensar com quem se vai falar e quem é aquela que fala, para ver como se deve tratar? (…) Sim, aproximai-vos pensando e entendendo, ao chegar, com quem ides falar ou com quem estais a falar.
Em mil vidas das nossas não acabaremos de entender como merece ser tratado este Senhor diante de quem tremem os anjos (…) Porque nos hão-de impedir que procuremos entender quem é este Homem, e quem é Seu Pai, e qual a terra para onde me vai levar e quais são os bens que me promete dar, qual a Sua condição, como O poderei contentar, em que lhe darei prazer, e estudar como hei-de tornar a minha condição conforme à Sua? (CV 22,1.3.7).
«Nunca me viera ao pensamento que havia tão grande segredo nesta oração evangélica, que encerra em si todo o caminho espiritual desde o princípio até engolfá-los Deus e dar-lhes a beber abundantemente na fonte da água viva» (…) E pois tantas vezes dizemos durante o dia o Pai Nosso, regalemo-nos com ele e procuremos aprender de tão excelente Mestre a humildade com que ora» (CE 73,3-4).
«Pensei dizer-vos também algo de como deveis rezar a Ave Maria; mas alarguei-me tanto, que ficará, e basta entender como se rezará bem o Pai Nosso para todas as orações vocais que tiverdes de rezar» (CE 73,2).
«Por subida que seja a oração, é preciso (…) que nos ajudemos com a meditação» (5 M 7,8).
«É que, pensar e esquadrinhar o que o Senhor passou por nós, move-nos à compaixão e é saborosa esta pena e as lágrimas que daqui procedem. Pensar na glória que esperamos e no amor que o Senhor nos teve e na Sua ressurreição, infunde em nós um gozo que nem é de todo espiritual nem sensível, mas sim virtuoso, e pena muito meritória» (V 12,1).

«O MESTRE QUE NOS ENSINOU ESTA ORAÇÃO»
«Quero agora aconselhar-vos e, até posso dizer, ensinar-vos (pois, como mãe, pelo ofício que tenho de prioresa, é lícito) como haveis de rezar vocalmente, porque é justo entendais o que dizeis. E, como quem não pode pensar em Deus, pode ser que também se canse com largas orações, tão-pouco me quero intrometer nelas, senão nas que forçosamente devemos rezar, pois somos cristãos, que são o Pai nosso e a Ave Maria, para que não possam dizer de nós que falamos e não entendemos o que dizemos; salvo se nos parecer que basta fazê-lo por costume, pronunciando só as palavras, e que isto basta! Se basta ou não, nisso me intrometo: os letrados o dirão. O que eu quereria, filhas, que fizéssemos é que não nos contentássemos só com isso; porque, quando digo: “Credo”, parece-me ser de razão que entenda e saiba o que creio; e quando digo: “Pai Nosso”, será amor compreender quem é este Nosso Pai e quem é o Mestre que nos ensinou esta oração» (CV 24,2).
«O que podemos fazer da nossa parte é procurar estar a sós (…) para entendermos com quem estamos e que o Senhor responde às nossas petições. Pensais que está calado embora não O ouçamos? Bem fala Ele ao coração, quando de coração Lhe pedimos. E bom é que consideremos, cada uma, que foi a nós mesmas a quem o Senhor ensinou esta oração, e que no-la está apontando; pois nunca o mestre fica tão longe do discípulo que seja preciso falar em altas vozes, mas muito perto. Isto quero eu que entendais: para rezar bem o Pai Nosso convém-vos não vos apartar de junto do Mestre que vo-lo ensinou» (CV 24,4).
«É mesmo obrigação procurarmos rezar com advertência; e praza ainda a Deus que, com estes remédios, vá bem rezado o Pai Nosso e não acabemos em outra coisa impertinente». Tenho-o experimentado algumas vezes, e o melhor remédio que encontro é procurar trazer o pensamento n`Aquele a quem dirijo estas palavras. Por isso, tende paciência e procurai criar o costume de coisa tão necessária» (CV 24,5).
«Também vos parecerá que quem goza de coisas tão altas, não terá meditação nos mistérios da Sacratíssima Humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque já se exercitará toda em amor. Isto é uma coisa... e conquanto nisso me tenham contradito... a mim não me farão confessar que é bom caminho» (6 M 7,5).
«Se perderem o guia – que é o bom Jesus – não acertarão com o caminho» (6 M 7,6)

ESQUEMA DA ORAÇÃO
INTRODUÇÃO INICIAL
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amen.
ENUNCIAÇÃO DO MISTÉRIO E MEDITAÇÃO.
Pai Nosso.
Ave Maria (dez vezes).
Glória ao Pai.
Ó Maria concebida sem pecado,
rogai por nós que recorremos a Vós.
Ó meu Jesus,
perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno.
Levai as almas todas para o Céu,
principalmente as que mais precisarem.
NO FINAL DO QUINTO MISTÉRIO
3 Ave Marias e a Salve Rainha.
ABREVIATURAS:
CC – Contas de Consciência
CE – Caminho de Perfeição – Escorial
Ct - Cartas
CV – Caminho de Perfeição – Villadolid
E – Exclamações
F – Livro das Fundações
M – Livro das Moradas
MC – Meditações sobre o Cântico dos Cânticos
P – Poesias
V – Livro da Vida

I. MISTÉRIOS GOZOSOS
S. Teresa celebrou nos seus Carmelos o mistério da infância do Salvador com grande alegria, assombro e adoração. Reconheceu o «abaixamento» de Deus, isto é, a humildade de Deus». Viu no nascimento do Senhor um prelúdio da sua paixão. No mistério da vida pública de Jesus reconheceu um acontecimento salvífico que chega até «hoje», especialmente nos sacramentos. Leu a vida de Jesus, com um coração de enamorada, que procura conhecer e encontrar-se com o Senhor em cada passo do Evangelho. Personalizou as personagens que conviveram com o Jesus histórico, revivendo as suas experiências com amor. A paixão mais ardente de Teresa é a Sagrada Humanidade do Senhor, que vive actualmente ressuscitada junto do Pai e está connosco para sempre. Daí resulta o facto de a sua espiritualidade ser cristocêntrica.

1. A ANUNCIAÇÃO
«Recordo-me de quando o Anjo disse à Virgem Sacratíssima, Senhora nossa: «A virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra» (Lc 1,35). Que amparada se vê uma alma quando o Senhor a põe nesta grandeza! Com razão se pode assentar e sentir segura» (Mc 5,2).
«Oh! segredos de Deus! Aqui não há senão render nossos entendimentos e pensar que para entender as grandezas de Deus não valem nada. Aqui vem a propósito ajoelharmo-nos como o fez a Virgem Nossa Senhora com toda a sabedoria que Deus lhe deu, que perguntou ao anjo quando A saudou: «Como se fará isto?», em dizendo-lhe:«O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te fará sombra», não tratou de mais disputas. Como quem tinha grande fé e sabedoria entendeu logo que, intervindo estas duas coisas, não havia mais que saber nem duvidar (…) Se [os teólogos] aprendessem algo da humildade da Virgem Sacratíssima! Ó Senhora minha, quão cabalmente se pode entender por Vós o que se passa entre Deus e a Esposa, conforme ao que se diz nos Cantares!» (Mc 6,7-8).
«A humildade trouxe o Filho de Deus do Céu às entranhas da Virgem; e também por ela O traremos preso por um fio de cabelo às nossas almas» (CV 16,2).
«Pareçamos, filhas minhas, nalguma coisa com a grande humildade da Virgem Sacratíssima, cujo hábito trazemos, pois é para confundir o nomearmo-nos freiras suas; que, por muito que nos pareça que nos humilhamos, ficamos bem longe de ser filhas de tal Mãe e esposas de tal Esposo» (CV 13,3).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

2. A VISITAÇÃO
«Se amamos a Deus não se pode saber (embora haja grandes indícios para entender que O amamos), mas o amor do próximo, sim. E estai certas que, quanto mais neste vos virdes aproveitadas, mais o estais no amor de Deus; porque é tão grande o que Sua Majestade nos tem, que em paga do que temos no próximo, fará crescer o que temos a Sua Majestade por mil maneiras. Disto não posso eu duvidar. Importa-nos muito andar com grande advertência, vendo como andamos nisto, que, se é com muita perfeição, temos tudo feito; porque eu creio que, segundo é mau o nosso natural, não chegaremos a ter com perfeição o amor do próximo, se não nascer de raiz do amor de Deus» (5 M, 3,8-9).
«Ambas estas coisas, obediência e aproveitamento dos próximos, pedem muitas vezes que lhes demos o tempo que tanto queríamos dar a Deus, que, no nosso parecer, era estarmos a sós pensando n´Ele e deleitando-nos com os regalos que nos dá. Porém, deixar isto para nos dedicarmos a qualquer dessas coisas, é agradar-Lhe. Ele mesmo o disse: “O que fizerdes por um destes pequeninos, a Mim o fazeis” (…) Tal força tem o amor, se for perfeito, que olvidamos o próprio contento para contentar a quem amamos (…) É no meio das ocasiões e não nos recantos que se há-de provar o amor» (F 5, 3. 10. 15).
«Pede ao Esposo que a deixe fazer grandes obras em Seu serviço e bem do próximo. Por isto folga de perder aquele deleite e contentamento; e embora seja vida mais activa que contemplativa, e pareça que perderá se Deus lhe conceder esta petição, quando a alma está neste estado nunca deixam de trabalhar, quase juntas, Marta e Maria; porque no que é actividade e parece exterior, opera o interior, e quando as obras activas saem desta raiz, são adimiráveis e olorosíssimas flores. Procedem desta árvore do amor de Deus, e só por Ele, sem nenhum interesse próprio, espalha-se o olor destas flores para proveito de muitos, e é perfume que dura; não passa depressa, mas faz grande operação» (MC 7,3).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

3. O NASCIMENTO
«Pareçamo-nos em alguma coisa com o nosso Rei, que não teve casa a não ser o presépio de Belém, onde nasceu, e a cruz onde morreu». (CV 2, 9).
«O justo Simeão também não via do glorioso Menino pobrezinho, mais do que faixas em que o levavam envolto e a pouca gente que ia com Ele na procissão, que mais poderá julgá-lo filho de gente pobre, que filho do Pai celeste; mas o mesmo Menino deu-se-lhe a conhecer» (CV 31,2).
«O que a mim se me apresentou, são três Pessoas distintas, pois cada uma se pode ver e falar de “per si”. Depois pensei que só o Filho tomou carne humana, por onde se vê esta verdade. Estas pessoas amam-se e comunicam-se e conhecem-se (…) Como vemos que são distintas as três Pessoas, e como tomou carne humana o Filho e não o Pai nem o Espírito Santo? Isto não o entendi eu; os teólogos o sabem. Bem sei eu que naquela obra tão maravilhosa da Encarnação estavam todas Três, e não me ocupo a pensar muito nisso» (CC 60).
«... E pensava eu se a Esposa pedia esta mercê que Cristo depois nos fez. Também tenho pensado se podia aquela união tão grande, como foi Deus fazer-se Homem, aquela amizade que trocou com o género humano...» (MC 1, 11).
«Ah pastores que velais
Por guardar vosso rebanho!
Olhai que vos nasce um Cordeiro
Filho de Deus soberano!
Vem pobre e desprezado.
Começai já a guardá-Lo
Que o lobo há-de leva-Lo
Sem que tenhais gozado» (P 11,1).
«Dá-nos o Pai
Seu único Filho;
Hoje vem ao mundo
Em pobre cortelho.
Oh grande regozijo
Que já o homem é Deus!
Não há que temer:
Morramos os dois» (P 15,1).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

4. A APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO
«Pois vedes aqui o que deu Àquele a quem mais amava, por onde se entende qual é a Sua vontade. Assim são estes os seus dons neste mundo. Dá conforme ao amor que nos tem: aos que mais ama, dai mais destes dons; àqueles que menos ama, dá menos, e conforme ao ânimo que vê em cada um e o amor que têm a Sua Majestade. A quem O amar muito, verá que pode padecer muito por Ele; ao que O amar pouco, pouco. Tenho para mim que a medida de se poder levar cruz grande ou pequena, é a do amor. Assim, se o tendes, procurai que não sejam palavras de mero cumprimento as que dizeis a tão grande Senhor, mas esforçai-vos a padecer o que Sua Majestade quiser. Porque, se de outra maneira Lhe dais a vossa vontade, é mostrar-Lhe a jóia, ir-Lha a dar e rogar-Lhe que a tome e, quando estende a mão para nela pegar, torná-la a guardar muito bem guardada» (CV 32,7).
«Somente direi o motivo porque o nosso bom Mestre põe aqui estas sobreditas palavras - “Faça-se a tua vontade” - como quem sabe quanto ganharemos em prestar este serviço a Seu Eterno Pai: a fim de que nos disponhamos para, com muita brevidade nos vermos com o caminho acabado de andar e bebendo da água viva da fonte que fica dita. Porque, sem darmos totalmente a nossa vontade ao Senhor para que em tudo o que nos toca Ele faça conforme a Sua vontade, nunca nos deixará beber dela. Isto é a contemplação, de que me dissestes escrevesse» (CV 32, 9).
«Cumpra-se em mim, Senhor, a Vossa vontade de todos os modos e maneiras que Vós, Senhor meu, quiserdes. Se quereis com trabalhos, dai-me esforço e venham; se com perseguições e enfermidades e desonras e necessidade, aqui estou! Não voltarei o rosto, Pai meu, nem é razão para voltar as costas. Pois Vosso Filho deu em nome de todos esta minha vontade, não é razão que falhe por minha parte; mas sim me façais Vós mercê de me dar o Vosso reino para que eu possa fazê-lo – pois Ele mo pediu – e disponde em mim como em coisa Vossa conforme a Vossa vontade» (CV 32,10).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

5. A PERDA E O ENCONTRO DE JESUS
«Ó Senhor, Senhor! Não sois Vós o nosso Modelo e Mestre? Sim, por certo. Pois em que esteve a vossa honra, Honrador nosso? Não a perdestes, por certo, em ser humilhado até à morte, não, Senhor, senão que a ganhastes para todos.» (CV 36, 5).
«Nada se lhes dava aos apóstolos – a troco de dizer uma verdade e de a sustentar para glória de Deus – de perder tudo ou de ganhar tudo; porque quem deveras tudo tem arriscado por Deus, com igual ânimo suporta tanto uma como outra coisa» (V 16,7)
«Ficai-vos com Ele de boa vontade: não percais tão boa ocasião de negociar, como é a hora depois de ter comungado». (CV 34,11)
«O que Vos ama de verdade, Bem meu, vai seguro por caminho largo e real. Longe está o depenhadeiro; mal vai a tropeçar e já Vós, Senhor, lhe dais a mão. Não basta uma queda, nem muitas para se perder, se Vos tem amor e não às coisas do mundo, pois vai pelo vale da humildade (…) Olhos fixos n´Ele e não haja medo de que se ponha este Sol da Justiça, nem que nos deixe caminhar de noite para nos perdermos, se nós primeiro não O deixamos a Ele» (V 35, 13-14).
«Recordo-me de que, quando morreu minha mãe, fiquei da idade de doze anos, pouco menos. Quando comecei a perceber o que tinha perdido, fui-me, aflita, a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei-Lhe, com muitas lágrimas, que fosse minha Mãe. Embora o fizesse com simplicidade, parece-me que me tem valido; porque conhecidamente tenho encontrado a esta Virgem soberana, sempre que me tenho encomendado a Ela, e, enfim, tornou-me a Si» (V 1,7).
«Vida, que posso eu dar
A meu Deus que vive em mim,
Se não é perder-te a ti,
Para melhor O gozar a Ele?
Morrendo O quero alcançar
Pois é só a Ele que quero:
Que morro porque não morro» (Pl, 8).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...
NO FINAL DESTE MISTÉRIO
3 Ave Marias e a Salve Rainha

II. MISTÉRIOS LUMINOSOS
Vós dizieis: «Vinde a Mim todos os que trabalhais e estais carregados, que eu vos consolarei». Que mais queremos, Senhor? Que pedimos? Que buscamos? Porque estão perdidos os do mundo senão por buscarem descanso? Valha-me Deus! Valha-me Deus! Que é isto, Senhor? Oh! Que lástima! Oh! Que grande cegueira, que O busquemos onde é impossível encontrá-Lo! Tende piedade, Criador, destas vossas criaturas! Vede que não nos entendemos, nem sabemos o que desejamos, nem atinamos no que pedimos. Dai-nos, Senhor, luz; olhai que é mais necessária que ao cego, que o era desde o seu nascimento, pois este desejava ver a luz e não podia; e agora, Senhor, não se quer ver. Oh! Que mal tão incurável! Aqui, Deus meu, se há-de mostrar Vosso poder; aqui a Vossa Misericórdia (E 8,2)

1. O BAPTISMO DE JESUS NO JORDÃO
«Se não houvesse água para lavar, que seria do mundo? Sabeis que tanto limpa esta água viva, esta água celestial, esta água clara, quando não está turva, quando não tem lodo, mas cai do céu? Por uma só vez que se beba, tenho por certo deixa a alma clara e limpa de todas as culpas» (CV 19,6)
«Ó Esperança minha e meu Pai e meu Criador e meu verdadeiro Senhor e Irmão! Quando considero em como dizeis que vossas delícias são como os filhos dos homens, muito se alegra minha alma. Ó Senhor do Céu e da terra! Que palavras estas para não desconfiar nenhum pecador! Falta-vos, porventura, Senhor, com quem Vos deleiteis, que buscais um vermezinho de tão mau odor como eu? Aquela voz que se ouviu no baptismo do Jordão, disse que Vos deleitáveis em vosso Filho. Pois, havemos de ser todos iguais, Senhor? Oh! Que grandíssima misericórdia e favor sem que o possamos merecer! E que tudo isto olvidemos, nós os mortais! Lembrai-Vos, Deus meu, de tanta miséria e vede a nossa fraqueza, pois de tudo sois sabedor.
Ó alma minha! Considera o grande deleite e grande amor que tem o Pai em conhecer o Seu Filho e o Filho em conhecer o Seu Pai, e o ardor em que o Espírito Santo se junta com Eles e como nenhuma das Três Pessoas se pode apartar deste amor e conhecimento, porque são uma mesma coisa. Estas soberanas Pessoas se conhecem, estas se amam e umas com as outras se deleitam. Pois, que necessidade há de meu amor? Para que o quereis, Deus meu, ou que ganhais? Oh! Bendito sejais Vós! Oh! Bendito sejais Vós! Deus meu, para sempre! Louvem-Vos todas as coisas, Senhor, sem fim, pois não o pode haver em Vós.
Alegra-te, alma minha, que há Quem ame a Deus como ele merece. Alegra-te, que há quem conheça Sua bondade e valor. Dá-lhe graças, porque nos deu na terra Quem assim O conhece, como Seu Filho único que é. Sob este amparo poderás achegar-te a Ele e apresentar-Lhe as tuas súplicas. E pois que sua Majestade se deleita contigo, que todas as coisas da terra não sejam bastantes para te apartar de te deleitares e alegrares na grandeza do teu Deus e em como merece ser amado e louvado; e te ajude para que tenhas alguma partezita em ser bendito o Seu Nome e possas dizer com verdade: «A minha alma engrandece e louva ao Senhor» (Excl 7, 1-3).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

2. A REVELAÇÃO DE JESUS NAS BODAS DE CANÁ
«Não sei como hei-de passar daqui, quando me recordo o modo da minha profissão e a grande determinação e contento com que a fiz e do desposório que fiz conVosco. Isto não o posso dizer sem lágrimas, e haviam de ser de sangue e quebrar-se-me o coração, e não seria muito pesar para o que depois Vos ofendi. (V 4,3).
«Pois, razão será, filhas, que procuremos deleitar-nos nestas grandezas que tem o nosso Esposo e entendamos com quem estamos casadas e que vida havemos de ter... Nós, já desposadas, antes das bodas não pensaremos em nosso esposo, que nos há-de levar para Sua casa? Pois se aqui não se impedem estes pensamentos às que estão desposadas com os homens, porque nos hão-de impedir que procuremos entender quem é este Homem, e que é Seu Pai, e qual a terra para onde me vai levar e quais são os bens que me promete dar, qual a Sua condição, como melhor O poderei contentar, em que Lhe darei prazer, e estudar como hei-de tornar a minha condição conforme à Sua?... Pois, Esposo meu, em tudo hão-de fazer menos caso de Vós que dos homens? Se isto não lhes parece bem, que Vos deixem às Vossas esposas, que hão-de fazer vida convosco. E em verdade é vida boa» (CV 22, 7-8).
«Não vos peço senão que olheis para Ele. Pois, quem vos impede de volver os olhos da alma, mesmo que seja por um instante, se mais não puderes, para este Senhor? Pois podeis olhar para coisas muito feias, não podereis olhar para a coisa mais formosa que se pode imaginar? E nunca, filhas, o vosso Esposo desvia de vós os olhos, e tem-vos sofrido mil coisas feias e abominações contra Ele, e tudo não tem bastado para que deixe de olhar para vós; e será muito que, desviados os olhos dessas coisas exteriores, olheis para Ele algumas vezes? Olhai que não está aguardando outra coisa, conforme disse à Esposa, senão que olhemos para Ele. Como O quiserdes, O achareis. Tem em tanta conta que O voltemos a olhar, que não falhará por menos diligência Sua» (CV 26,3).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

3. O ANÚNCIO DO REINO E O CONVITE À CONVERSÃO
«O grande bem que me parece a mim que há no reino do Céu, com outros meios, é o de já não ter cuidado com coisa alguma da terra, mas um sossego e glória em si mesmos, um alegrar-se que se alegrem todos, uma paz perpétua, uma grande satisfação no íntimo de si mesmos, que lhes vem de ver que todos santificam e louvam ao Senhor, e bendizem o Seu nome e ninguém O ofende. Todos O amam e a própria alma não atende a outra coisa senão a amá-Lo, nem pode deixar de O amar, porque O conhece. E assim O amaríamos aqui, ainda que sem ser com esta perfeição, nem totalmente; mas se O conhecêssemos, ama-Lo-íamos muito por outro modo de que O amamos» (CV 30,5).
«Ou somos esposas de tão grande Rei, ou não. Se o somos, que mulher honrada haverá que não participe das desonras feitas a seu esposo? Ainda que o não queira por sua própria vontade, enfim, de honra ou desonra participam ambos. Pois, ter parte no Seu reino e dele gozar, e nas desonras e trabalhos querer ficar sem nenhuma parte, é disparate» (CV 13,2).
«O Senhor começa já aqui neste mundo, a dar-nos o Seu reino, para que deveras O louvemos e santifiquemos o Seu Nome e procuremos que todos o façam... Em dizer «Pai Nosso» uma vez, vai-se-lhes uma hora. Estão tão perto que vêem que se entendem por sinais. Estão no palácio, junto do seu rei, e vêem que Ele já lhes começa a dar aqui o Seu reino» (CV 31,1. 3).
«Quando é arroubamento, crede que Deus rouba toda a alma para Si, e que, como a coisa própria Sua e já Sua esposa, lhe vai mostrando alguma partezinha do reino que já ganhou por ser Sua esposa; e, por pouco que seja, é tudo muito o que há neste grande Deus, e não quer estorvo de ninguém, nem das potências, nem dos sentidos; senão, depressa manda fechar as portas de todas estas moradas, e só aquela em que Ele está fica aberta, para nós entrarmos» (6 M 4,9).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

4. TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR
«Via-lhe nas mãos um dardo de oiro comprido e, no fim da ponta de ferro, me parecia que tinha um pouco de fogo. Parecia-me meter-me este pelo coração algumas vezes e que me chegava às entranhas. Ao tirá-lo, dir-se-ia que as levava consigo, e me deixava toda abrasada em grande amor de Deus. Era tão intensa a dor, que me fazia dar aqueles queixumes e tão excessiva a suavidade que me causava esta grandíssima dor, que não se pode desejar que se tire, nem a alma se contenta com menos do que Deus. Não é dor corporal mas espiritual, embora o corpo não deixa de ter a sua parte, e até muita. É um requebro tão suave que têm entre si a alma e Deus, que suplico à Sua bondade o dê a gostar a quem pensar que minto» (V 29, 13).
«A primeira vez que Deus faz esta mercê [do matrimónio espiritual], quer Sua Majestade mostrar-Se à alma por visão imaginária de Sua sacratíssima Humanidade, para que o entenda bem e não esteja ignorante de que recebe tão soberano dom... Representou-se-lhe o Senhor, acabando de comungar, em forma de grande resplendor e formosura e majestade, como depois de ressuscitado, e lhe disse que já era tempo dela tomar as coisas d´Ele por suas, e Ete teria cuidado das coisas dela, e outras palavras que são mais para se sentir do que para dizer... Fica a alma, digo, o espírito desta alma, feito uma coisa com Deus; pois, como Ele é também espírito, Sua Majestade quis mostrar o amor que nos tem, dando a entender a algumas pessoas até onde chega, para que louvemos Sua grandeza, porque de tal maneira se quis juntar com a criatura, que, assim como os que já se não podem apartar, não se quer Ele apartar dela» (7 M 2, 1. 3).
«Talvez seja isto o que disse São Paulo: «O que se arrima e chega a Deus, faz-se um espírito com Ele», tocante a este soberano matrimónio, que pressupõe Sua Majestade já ter chegado a Si a alma por união. E também disse: «Mihi vivere Christus est, mori lucrum»; assim me parece pode dizer aqui a alma, porque é onde a borboletazinha que dissemos, morre, e com grandíssimo gozo, porque a sua vida é já Cristo» (7 M 2, 5).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

5. A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA
«Quem nos impede de estar com Ele depois de Ressuscitado, pois tão perto O temos no Sacramento , onde já está glorificado? (…) Ei-Lo, pois, aqui sem dor, cheio de glória, esforçando a uns, animando a outros, antes que subisse aos Céus, companheiro nosso no Santíssimo sacramento, que aprece não estava na Sua mão apartar-se de nós um só momento!... Com tão bom amigo presente, com tão esforçado capitão, que foi o primeiro no padecer, tudo se pode sofrer. É ajuda e dá força; nunca falta; é Amigo verdadeiro. E vejo eu claramente e vi depois que, para contentar a Deus e para Ele nos fazer grandes merçês, quer que seja por mãos desta Humanidade Sacratíssima, na qual Sua Majestade disse que Se deleita. Muitas, muitas vezes o tenho visto por experiência e tem-mo dito o Senhor.» (V 22,6).
«Sei de uma pessoa que durante muitos anos, embora não fosse muito perfeita, quando comungava procurava reforçar a fé, nem mais nem menos do que se visse com os olhos corporais entrar em sua pousada o Senhor; e, como cria verdadeiramente que este Senhor entrava na sua pobre pousada, se desocupava de todas as coisas exteriores tanto quanto lhe era possível, e entrava com Ele. Procurava recolher os sentidos, para que todos entendessem tão grande bem – digo, não embaraçassem a alma para O conhecer – considerava-se a Seus pés e chorava com a Madalena, nem mais nem menos que se O vira com os olhos corporais em casa do fariseu; pois, embora não sentisse devoção, a fé lhe dizia que Ele estava bem ali» (CV 34,8).
«Já vejo, Esposo meu, o que Vós sois para mim; não o posso negar; por mim viestes ao mundo, por mim passastes tão grandes trabalhos, por mim sofrestes tantos açoites, por mim ficastes no Santíssimo Sacramento e agora me fazeis tão grandíssimos regalos. (…) Ó amor! Que em muitos lugares quisera eu repetir esta palavra, porque só ele se pode atrever a dizer com a Esposa: eu para meu amado. Ele dá-nos licença para que pensemos que tem necessidade de nós, este verdadeiro amador, esposo e Bem meu» (MC 4, 8-12).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...
NO FINAL DESTE MISTÉRIO
3 Ave Marias e a Salve Rainha

III. MISTÉRIOS DOLOROSOS
«Com tão bom amigo, com tão esforçado capitão, que foi o primeiro no padecer, tudo se pode sofrer. É ajuda e dá força; nunca falta; é Amigo verdadeiro» (V 22,6).
«A vida é longa, há muitos trabalhos, temos necessidade de olhar e ver como o nosso modelo Jesus Cristo os passou, e até Seus Apóstolos e Santos, para levarmos os nossos com perfeição. É muito boa companhia o bom Jesus, para que nos apartemos dela e Sua Sacratíssima Mãe» (6 M 7,13).
«Andemos juntos, Senhor, por onde fordes, tenho de ir: por onde passardes, tenho de passar» (CV 26,6).
«Pegai, filhas, naquela cruz; não se vos dê nada de que vos atropelem os judeus (…); tropeçando, caindo com o vosso Esposo, não vos aparteis da cruz, nem a deixeis.» (CV 26,7).

1. A AGONIA
«Tinha eu este modo de oração: como não podia discorrer com o entendimento, procurava representar-me a Cristo dentro de mim e sentia-me melhor – a meu parecer – nos passos onde O encontrava mais só. Parecia-me que, estando só e aflito, como pessoa necessitada, me havia de admitir a mim. Destas simplicidades tinha eu muitas. Em especial achava-me muito bem na oração do Horto, ali era fazer-Lhe eu companhia... Pensava naquelo suor e aflição que ali tinha tido. (…) Ficava-me ali com Ele o mais que me permitiam meus pensamentos, porque eram muitos os que me atormentavam. Muitos anos, as mais das noites, antes que adormecesse, quando para dormir me encomendava a Deus, pensava sempre um pouco neste passo da oração do Horto, ainda mesmo antes de ser freira, porque me disseram que se ganhavam muitos perdões» (V 9,4).
«Sempre temos visto que aqueles que mais de perto acompanhavam a Cristo Nosso Senhor, foram os que tiveram maiores trabalhos. Vejamos os que passou a Sua gloriosa Mãe, e os gloriosos Apóstolos» (7 M 4,5).
«Oferece-me agora como o nosso bom Jesus mostra a fraqueza de Sua Humanidade antes dos trabalhos de Sua Paixão e no forte deles grande fortaleza, que não só não Se queixou, mas nem no semblante fez coisa por onde parecesse que padecia com fraqueza. Quando ia a caminho do Horto disse: «A minha alma está triste até à morte»; e estando já na cruz, o que era estar passando a morte, não Se queixou. Quando foi da oração no Horto, ia despertar Seus Apóstolos; pois com mais razão se queixaria a Sua Mãe e Senhora nossa que estava ao pé da Cruz e não dormia, senão padecendo na sua santíssima alma e morrendo dura morte, e sempre nos consola mais queixarmo-nos àqueles que sabemos que sentem nossos trabalhos e mais nos amam» (MC 3,8).
«Pois lhe deu o Senhor tanto desejo de padecer, alegre-se de obedecer-lhe nisso, que entendo não é pequeno trabalho. Se tivéssemos de andar a escolher os que queremos e deixar os outros, não seria imitar a Nosso Esposo, que com sentir tanto na oração do horto, a sua Paixão termina: Fiat voluntas tua! É preciso cumprir sempre esta vontade e faça Ele o que quiser de nós» (Ct 249,3).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

2. A FLAGELAÇÃO
«Ponhamo-nos a pensar num passo da Paixão, digamos, o de quando o Senhor estava atado à coluna. (…) É o modo de oração por que todos hão-de começar e mediar e acabar, e mui excelente e seguro caminho, até que o Senhor os leve a outras coisas sobrenaturais (…) É admirável maneira esta de proceder, não deixando no entanto, muitas vezes a Paixão e Vida de Cristo, que é donde nos veio e vem todo o bem» (V 13, 19).
«Voltando ao que dizia, de pensar em Cristo atado à coluna, é bom discorrer um pouco e pensar nas penas que ali teve e por que as teve e quem é Aquele que as teve e o amor com que as passou. (…) E fale, e peça, e humilhe-se, e regale-se com Ele, e lembre-se que não merecia estar ali. Quando puder fazer isto – embora seja logo de princípio, ao começar a oração – achará grande proveito, pois dá grandes lucros este modo de oração; pelo menos teve-os a minha alma» (V 13,22).
«Metida consigo mesma (na oração de recolhimento), pode pensar na Paixão e representar ali ao Filho e oferecê-Lo ao Pai, e não cansar o entendimento andando-O a buscar no monte Calvário, no Horto e atado à Coluna» (CV 28,4).
«É porque vedes a esta Majestade atada e ligada com o amor que nos tem? Que mais faziam os que lhe deram a morte, senão depois de atado, dar golpes e feri-Lo?» (E 12,4).
«Se estais em trabalhos ou tristes, vede-O a caminho do Horto: que aflição tão grande levava em Sua alma, pois com ser a mesma paciência, confessa essa aflição e dela se queixa. Ou vede-O atado à coluna, cheio de dores, Sua carne toda feita em pedaços pelo muito que vos ama; tanto padecer: perseguido por uns, cuspido por outros, negado pelos Seus amigos, desamparado por eles, sem ninguém que saia por Ele, gelado de frio, posto em tanta soledade; que um com o outro vos podeis consolar. Ou vede-O carregado com a cruz, que nem o deixam tomar fôlego. Olhar-vos-á, com olhos tão formosos e piedosos, cheios de lágrimas, e olvidará Suas dores para consolar as vossas, só por irdes consolar-vos com Ele e voltardes a cabeça a olhá-Lo» (CV 26,5).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

3. A COROAÇÃO DE ESPINHOS
«Aconteceu-me que, entrando um dia no oratório, vi uma imagem, que trouxeram para guardar ali, que se tinha ido buscar para certa festa que se fazia em casa. Era a de Cristo muito chagado e tão devota que, ao olhá-la, toda eu me turbei de O ver assim, porque representava bem o que passou por nós. Foi tanto o que senti por tão mal lhe ter agradecido aquelas chagas, que o coração, parece-me, se me partia, e arrojei-me junto d´Ele com grandíssimo derramamento de lágrimas, suplicando-Lhe que me fortalecesse de uma vez para sempre para não O ofender» (V 9,1).
«Estando eu a olhá-Lo atentamente, vi que na cabeça, em lugar da coroa de espinhos, tinha a circundá-la uma coroa de grande esplendor que devia ser onde os espinhos lhe fizeram chaga. Com ser devota deste Passo, consolei-me muito e comecei a pensar que grande tormento deveria ser, pois tinha-Lhe feito tantas feridas, e começou a dar-me pena. Disse-me o Senhor que não O lastimasse por aquelas feridas, mas sim pelas muitas que agora Lhe faziam. E eu perguntei-Lhe que poderia fazer para dar remédio a isto pois estava determinada a tudo» (CC 6,1).
«Quando Vês Minha Mãe tendo-me nos braços, não penses que gozava daquelas consolações sem grave tormento. Desde que Simeão Lhe disse aquelas palavras, deu-Lhe meu Pai uma clara luz para que visse o que Eu havia de padecer (…) Crê filha, que a quem meu Pai mais ama, dá maiores trabalhos, e a estes corresponde o amor. Em que te posso melhor mostrar do que em querer para ti o que quis para Mim? Vê estas chagas; nunca chegaram aqui as tuas dores. Este é o caminho da verdade.» (CC 26,1).
«Não O vemos tão fatigado e feito pedaços, escorrendo sangue, cansado pelos caminhos, perseguido por aqueles a quem fazia tanto bem, não acreditado pelos Apóstolos. (…) Não me veio trabalho que, olhando-Vos a Vós, como estivestes diante dos juizes, que não se me torne bom de sofrer. Com tão bom amigo presente, com tão bom capitão, que foi o primeiro no padecer, tudo se pode sofrer. É ajuda e dá força; nunca falta; é Amigo verdadeiro» (V 22,6).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

4. JESUS CARREGA COM A CRUZ
«Grande fundamento é, para se livrar dos ardis e gostos vindos do demónio, uma alma começar com a determinação de seguir caminho de cruz desde o princípio e de não desejar as ditas consolações. O mesmo Senhor nos ensinou este caminho de perfeição ao dizer: 'Toma a tua cruz e segue-Me'. É Ele o nosso modelo; não tem que temer quem, só para O contentar, segue seus conselhos» (V 15,13).
«Ajude-o a levar a Cruz e pense que toda a vida nela viveu. Não queira aqui o seu reino, nem deixe jamais a oração; e assim determine-se – embora esta aridez lhe dure toda a vida – a não deixar Cristo cair sob o peso da Cruz. Tempo virá em que se lhe pague tudo por junto. A bom amo serve, para ele está olhando» (V 11,11).
«Por que havemos de querer tantos bens e deleites e glória para sempre sem fim e todos à custa do bom Jesus? Não choraremos sequer ao menos com as filhas de Jerusalém, já que O não ajudamos a levar a cruz como o Cireneu? Com prazeres e passatempos havemos de gozar o que Ele nos ganhou à custa de tanto sangue? É impossível! E com honras vãs pensamos remediar um desprezo como o que Ele sofreu, para que nós reinássemos para sempre. Não tem cabimento. Errado, errado vai o caminho... nunca chegaremos lá» (V 27,13).
«Entendi: «Muito Me serve, mas grande coisa é seguir-me desnudo de tudo, como Eu me pus na Cruz. Diz-lhe que se fie de Mim» (CC 56).
«Os contemplativos hão-de levar levantada a bandeira da humildade e sofrer quantos golpes lhe derem sem dar nenhum; porque o seu ofício é padecer como Cristo, levar alçada a cruz, não a largar das mãos, por mais perigos em que se vejam, nem mostrar fraqueza no padecer; por isso lhe dão tão honroso ofício» (CV 18,6).
«Abraçai-vos com a cruz que vosso Esposo tomou sobre Si e entendei que esta deve ser a vossa empresa. A que mais puder padecer, que padeça mais por Ele e será a que melhor se liberta» (2 M 1,7).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...

5. A CRUCIFIXÃO
«Não penseis que isto (o amor do próximo) não vos há-de custar e que o haveis de achar já feito. Olhai o que custou a nosso Esposo o amor que nos teve: para nos livrar da morte, a padeceu tão penosa como a morte na Cruz» (5 M 3,12).
«Tão atribulado O trazem aqueles a quem fez tanto bem. Dir-se-ia que estes traidores O querem agora de novo tornar a pregar na cruz, e que não tivesse onde reclinar a cabeça» (CV 1,2).
«Ó Jesus meu! Que grande é o amor que tendes aos filhos dos homens! (…) pois com tanto sangue vemos demonstrado o amor tão grande que tendes aos filhos de Adão» (E 2,2).
«Ponde os olhos no Crucificado, e tudo se fará pouco. Se sua Majestade nos mostrou o Seu amor com tão espantosas obras e tormentos, como quereis contentá-lo só com palavras? Sabeis o que é ser espirituais deveras? É fazer-se escravos de Deus, para que, marcados com o seu ferro que é o da ♰, pois já lhe deram a sua liberdade, os possa vender por escravos de todo o mundo, como Ele o foi; e não lhe faz nenhum agravo nem pequena mercê» (7 M 4,9).
«Pegai naquela cruz; não se vos dê nada de que vos atropelem os judeus, para que Ele não vá em tanto trabalho; não façais caso do que vos disserem; fazei-vos surdas às murmurações; tropeçando, caindo com o vosso Esposo, não vos aparteis da cruz, nem a deixeis. Olhai muito ao cansaço com que vai e quanto Seus trabalhos levam vantagem ao que vós padeceis. Por grandes que os queirais pintar e por muito que os queirais sentir, saireis consoladas deles, porque vereis serem uma farsa comparados com os do Senhor» (CV 26,7).
«Aqueles que mais de perto acompanhavam a Cristo Nosso Senhor, foram os que tiveram maiores trabalhos. Vejamos os que passou a Sua gloriosa Mãe, e os gloriosos Apóstolos» (7 M 4,5).
Pai Nosso....
Ave Maria (dez vezes)...
Glória ao Pai...
Ó Maria concebida sem pecado...
Ó meu Jesus, perdoai-nos...
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